Já está disponível para as mulheres do Coroadinho, em São Luís, uma plataforma digital criada pela Casa das Pretas, espaço de atuação do Coletivo Mulheres Negras da Periferia. A ferramenta reúne informações sobre violência doméstica, direitos das mulheres e acesso à rede de proteção. O site também disponibiliza uma pesquisa anônima para ajudar a identificar como a violência doméstica se manifesta no território.
A iniciativa foi lançada nesta semana, no Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão. Por meio de um questionário, as mulheres podem relatar experiências relacionadas à violência doméstica sem informar nome, e-mail ou outros dados que permitam sua identificação.
As respostas serão utilizadas para compreender melhor a realidade das mulheres do Coroadinho. A proposta também é identificar as principais necessidades enfrentadas por quem vive situações de violência. A plataforma apresenta informações sobre violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Também há conteúdos sobre a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, direitos das mulheres, medidas protetivas e formas de buscar atendimento. O espaço ainda reúne perguntas e respostas sobre situações de violência e permite que a usuária entre em contato com a Casa das Pretas.
A plataforma disponibiliza um caminho para iniciar uma conversa pelo WhatsApp com a Casa das Pretas. A ferramenta não envia nem armazena a mensagem. A própria mulher decide se e quando deseja encaminhá-la.
Em situações de emergência, a orientação é procurar os canais oficiais de atendimento. Em caso de risco imediato, a recomendação é ligar para o 190. Para orientação e denúncias relacionadas à violência contra a mulher, também está disponível o Ligue 180.
Dados nacionais ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses.
Já a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que apenas 4% das brasileiras declararam espontaneamente ter sofrido esse tipo de violência no ano anterior.
No Maranhão, foram registrados 16 feminicídios entre janeiro e maio de 2026. No mesmo período de 2025, foram 24 casos. A redução foi de 33,3%. Somente em maio deste ano, foram registrados cinco feminicídios, contra nove no mesmo mês de 2025. A queda foi de 44,4%.
Casa das Pretas atua no Coroadinho
Criada em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa, a Casa das Pretas desenvolve ações voltadas ao fortalecimento e à emancipação de mulheres, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade no Coroadinho.
O espaço participa de diferentes iniciativas sociais e culturais. Entre elas estão o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito, Tambor de Crioula Mirim, Cine Coroadinho, Pretoteca, Cozinha Solidária Ancestral, Inclusão Produtiva e Laboratório Antirracista.
A plataforma foi desenvolvida por Diego Amaral, estudante do 4º semestre de Segurança da Informação da Uniasselvi.
O projeto foi realizado como atividade de extensão acadêmica. A construção utilizou HTML e ferramentas de inteligência artificial. A proposta foi criar uma ferramenta com navegação simples e acessível.
A iniciativa pretende aproximar informação, comunidade e rede de proteção. O objetivo é facilitar o acesso das mulheres do Coroadinho a informações sobre seus direitos e aos serviços de apoio. A plataforma pode ser acessada em casadaspretas.netlify.app.






