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Jovem se apresenta e depõe sobre feminicídio de estudante no Paraguai

Segundo relato do suspeito, ele detalhou que atingiu a vítima com vários golpes de tesoura e ainda utilizou uma arma branca.

Na manhã desta segunda-feira (4) prestou depoimento na Casa da Mulher Brasileira, no bairro Jaracaty, em São Luís, Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, suspeito de matar a estudante de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, de 22 anos, na cidade de Cidade do Leste, na fronteira com Foz do Iguaçu.

Vitor Rangel Aguiar, é natural de São Paulo, no entanto, sua última residência fixa no Brasil, teria sido em São Luís. O suspeito se apresentou após estar sendo procurado, desde o dia 24 de abril, quando aconteceu o crime.

O depoimento foi colhido pela Delegada Chefe Wanda Moura, do Departamento de Feminicídios, da Casa da Mulher Brasileira, que falou com a equipe da TV Difusora. De acordo com as investigações e o depoimento do suspeito, o casal manteve um relacionamento de cinco meses e estava separado desde fevereiro, embora continuassem a manter contato.

Na época da separação, Vitor Rangel, imaginou que a vítima estivesse se relacionando com outras pessoas. “Ele confessou todo o crime. E relatou que passou a monitorar o celular da Júlia sem que ela soubesse. Desconfiou que ela estava com outro homem e entrou no apartamento dela com uma chave furtada. Houve uma discussão, que ele perdeu a cabeça, que não lembra de todos os detalhes por ter tido alguns lapsos de memória. Mas, que houve um enforcamento, e que ela ficou desacordada”, conta a delegada.

No depoimento também foi citado como aconteceu o crime. “Ele utilizou uma pequena tesoura para desferir mais de 50 golpes no pescoço da jovem. Por fim, utilizou uma faca da própria cozinha da residência e a atingiu com dois golpes no abdômen e no peito. Após o crime, ele fugiu para o Brasil”, revela os detalhes do depoimento.

Na quinta-feira anterior à sua prisão, a defesa de Vitor Rangel procurou a polícia de São Luís para manifestar o desejo da sua apresentação. O mandando de prisão expedido pelo Ministério Público do Paraguai, não está válido no território nacional, visto, que a Constituição Federal não permite a extradição de brasileiros natos.

“Com base em toda a investigação no Paraguai, no Brasil foi pedida uma nova prisão temporária, que foi acatada pelo Poder Judiciário, que vale por 30 dias. Mas, irei fazer a solicitação com o envio das demais provas em prisão temporária”, disse a delegada.

Após o depoimento, o suspeito foi encaminhado para a audiência de custódia e depois será direcionado ao Complexo Penitenciário de São Luís, na BR-135.

O Caso

Uma estudante de medicina natural de Chapecó, em Santa Catarina, foi encontrada morta dentro do próprio apartamento no Paraguai. A vítima foi identificada como Julia Vitoria Sobierai Cardoso, de 23 anos.

O corpo foi localizado na sexta-feira (24), dentro do apartamento onde ela morava, em um prédio no bairro Obrero, na Avenida Capitán del Puerto, em Ciudad del Este.

A jovem apresentava diversos ferimentos causados por faca. As investigações iniciais tratam o caso como possível feminicídio. O principal suspeito é o ex-companheiro dela, também estudante de medicina, de aproximadamente 27 anos, que está desaparecido até o momento.

Julia era natural de Chapecó e já havia morado em Navegantes. Ela cursava o primeiro ano de Medicina no Paraguai.

A Universidade da Integração das Américas, onde a jovem estudava, divulgou uma nota de pesar. A instituição expressou condolências à família e destacou o impacto da perda para colegas e comunidade acadêmica.

Nas redes sociais, um perfil de estudantes organizou uma manifestação em memória de Julia e como ato de conscientização. O encontro está marcado para este domingo (26), em frente à universidade.

*Matéria em Atualização*

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