O Ministério Público do Maranhão (MPMA) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (15), a Operação Benedict. A ampla ação investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas oriundas de convênios e emendas parlamentares, lavagem de dinheiro e associação com facção criminosa, que resultou o valor aproximadamente R$ 9,6 milhões de danos aos cofres públicos.
A operação resultou, ainda na prisão preventiva de pessoas e na prisão em flagrante do vereador Beto Castro (Avante).
A força-tarefa é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e da Polícia Militar em cumprimento a uma decisão da Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados (Vecco).
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra Evania Maria Sousa Nicacio, Lucivânia Martins Alves Siqueira, José Roberto Santos Cunha e Cristiana Serra Duarte Cunha, além de buscas e apreensões em 12 endereços.
De acordo com as apurações conduzidas pelos órgãos de investigação, o grupo seria o responsável por operar os mecanismos de desvio das verbas públicas oriundas de convênios e emendas parlamentares, lavagem de dinheiro e associação com facção criminosa.
As investigações apuraram que o grupo criou uma rede formada por empresas de fachada, operadores financeiros, agentes políticos e colaboradores encarregados de ocultar a origem e a destinação de recursos que deveriam ser aplicados em projetos sociais voltados à população mais vulnerável.
O Ministério Público apurou que os recursos desviados eram utilizados para sustentar uma rede de proteção privada, com o objetivo de blindar a liderança do grupo e a impor o silêncio aos moradores das áreas sob domínio da facção criminosa Primeiro Comando do Maranhão (PCM).
Foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados aparelhos celulares, computadores, notebooks e mídias de armazenamento, além de documentos, registros contábeis, mais de R$ 300.000,00 em dinheiro em espécie, armas e veículos de luxo. Todo o material apreendido será devidamente registrado e preservado, observando-se a cadeia de custódia, a fim de assegurar a integridade, a rastreabilidade e a confiabilidade dos elementos coletados.
Os equipamentos eletrônicos e mídias digitais serão encaminhados ao Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/MPMA) para extração e análise dos dados, enquanto os demais bens permanecerão sob a guarda dos órgãos responsáveis, conforme sua natureza e destinação legal.
O nome da operação deriva da palavra latina Benedictus, que significa “abençoado”, em referência direta ao nome da entidade investigada, o Instituto Sê Tu Uma Bênção. A escolha busca estabelecer um contraste simbólico entre a finalidade social que inspirou a criação da instituição e os fatos apurados na investigação.
Ex-vereador Umbelino Junior divulga nota
Em relação aos fatos que motivaram a diligência realizada nesta data, informamos que recebemos a atuação das autoridades com tranquilidade e respeito às instituições.
Confiamos plenamente na Justiça e acreditamos que todos os esclarecimentos necessários serão prestados no momento oportuno, observando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Reafirmamos nosso compromisso com a transparência, a legalidade e a verdade dos fatos, mantendo-nos à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos. Neste momento, aguardaremos o regular andamento das investigações, certos de que a verdade prevalecerá.
O Portal Difusora News solicitou nota à Câmara de São Luís sobre a prisão do vereador Beto Castro, alvo da operação, mas ainda não obteve retorno.
Atualizada às 13:08






