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Justiça condena maranhense por racismo contra Vini Jr.; processo avança para fase de recurso no TJMA

Como a ré respondeu a toda a investigação em liberdade, o juiz concedeu a ela o direito de recorrer da sentença sem ser presa imediatamente

Vinícius Júnior

Foto: reprodução

A Justiça do Maranhão condenou uma mulher pelo crime de racismo após ataques direcionados ao jogador da Seleção Brasileira, Vinícius Júnior. O caso ocorreu na cidade de São Luís Gonzaga do Maranhão. A acusada, identificada como Maria Gabriele Mesquita da Silva, usou as redes sociais para proferir ofensas raciais contra o atleta e a população negra em geral.

Atualmente, o processo encontra-se na fase de recurso. Como a ré respondeu a toda a investigação em liberdade, o juiz concedeu a ela o direito de recorrer da sentença sem ser presa imediatamente.

A sentença condenatória foi proferida pela Vara de São Luís Gonzaga do Maranhão, após a Justiça receber a denúncia do Ministério Público Estadual (MP-MA), ouvir testemunhas e analisar os vídeos e postagens. O juiz rejeitou o argumento da defesa de que não havia intenção de ofender e classificou o caso como “racismo recreativo”, quando o agressor usa um tom de humor e descontração para disfarçar o preconceito.

As últimas movimentações judiciais mostram que o processo já subiu para a segunda instância. No dia 27 de maio de 2026, após a apresentação das contrarrazões, os autos foram remetidos oficialmente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Agora, o recurso da defesa será analisado por desembargadores, que podem manter, alterar ou anular a sentença de primeiro grau.

As penas aplicadas

Na decisão de primeira instância, o juiz aplicou penas severas, destacando as consequências negativas da conduta da acusada para a sociedade. As punições estabelecidas foram:

Prisão: 4 anos e 2 meses de reclusão. O regime inicial determinado foi o fechado, devido às circunstâncias agravantes do crime, como o impacto social e o motivo fútil.

Indenização financeira: Pagamento de R$ 15.000,00 por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo Estadual de Igualdade Racial do Maranhão.

Direitos políticos: A Justiça determinou o envio das informações ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) para a suspensão dos direitos políticos da condenada enquanto durarem os efeitos da sentença.

O caso

O crime ocorreu no final de outubro de 2025. Segundo o Ministério Público, a acusada usou seu perfil no Instagram para comentar sobre um relacionamento do jogador Vinícius Júnior.

Nas publicações e em vídeos gravados por ela mesma, a mulher fez diversas declarações racistas, inferiorizando a população negra. Ela utilizou frases como “preto é bicho amostrado” e afirmou que não se relacionaria com homens negros “nem para ganhar dinheiro”. Durante o julgamento, a ré tentou argumentar que as falas eram apenas um “desabafo” por causa de uma decepção amorosa do passado, mas a justificativa foi totalmente rejeitada pelo magistrado, que viu intenção clara de discriminação.

Um homem que chegou a ser investigado por interagir com comentários nas postagens da acusada teve o seu caso arquivado. O próprio Ministério Público concluiu que não havia provas ou justa causa para transformá-lo em réu em uma ação penal.

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