O Ministério Público do Maranhão (MPMA) registrou junto à Justiça denúncias contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 37 anos, e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, de 35. O órgão entende que a dupla cometeu os crimes de tentativa de homicídio, tortura e tentativa de aborto contra Samara Regina Dutra Soares, doméstica de 19 anos que foi vítima dos acusados em abril deste ano. Carolina e Michael já se encontram presos preventivamente. A denúncia foi registrada na última segunda-feira (29).
O processo tramita na Comarca de Paço do Lumiar, mesma região em que a empresária mora e onde foram praticadas as violências contra a doméstica, à época grávida de cinco meses. Além dos crimes denunciados, o MPMA solicitou a manutenção das prisões preventivas dos acusados e o julgamento de ambos por um Tribunal do Júri.
O documento é assinado pela promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, que considerou uma série de provas, como depoimentos de testemunhas e um áudio enviado pela própria Carolina Sthela em um grupo de mensagens, no qual as agressões contra a doméstica são relatadas em tom de deboche. O conteúdo e a autoria da gravação foram comprovados em laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML).
As investigações do caso apontam que Carolina Sthela atribuía a Samara Regina o furto de um anel. A jovem trabalhava para a empresária cobrindo férias de uma doméstica que já oferecia os serviços na casa há alguns anos. Revoltada com o suposto roubo, Carolina Sthela chamou o amigo e policial Michael Bruno na manhã do dia 17 de abril para pressionar Samara a confessar o crime, sempre negado por ela.
A jovem foi colocada de joelhos e puxada pelos cabelos enquanto era agredida com tapas, socos e coronhadas. A dupla também a ameaçava verbalmente e apontava uma arma de fogo em sua direção. O MPMA afirma ainda que os agressores ameaçavam dopar a vítima com substância sonífera para transportá-la ocultada em um veículo até um sítio isolado, onde consumariam sua execução.
Mesmo com as negativas de Samara, Carolina insistia que a doméstica havia furtado o anel. O acessório caiu de um cesto de roupas revirado pela jovem. A denúncia registra que, de acordo com a doméstica que trabalhava há mais tempo para a empresária, era habitual que Carolina se descuidasse e esquecesse objetos pessoais pela casa.
Em dado momento, Samara conseguiu fugir e se abrigou na casa da vizinha de Carolina, que a acolheu e acionou a Polícia Militar. De acordo com o MPMA, os fatos registrados mostram que “a consumação dos crimes de homicídio e aborto somente não se operou por circunstâncias completamente alheias à vontade dos agentes.”
A denúncia também é reforçada por uma condenação prévia de Carolina Sthela por calúnia. Anteriormente, a empresária acusou falsamente a babá do próprio filho de subtrair uma pulseira de ouro da criança, em circunstâncias análogas ao caso de Samara.
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