Áudios atribuídos a Carolina Sthela revelam detalhes de agressões contra uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, na Grande São Luís.
Nas gravações, a própria suspeita descreve a violência. “Uma hora essa menina no massacre, e tapa, e murro, e pisava nos dedos, e tudo que vocês imaginaram de doidice, era eu e ele fazemos”, afirma em um dos áudios.
Carolina contou com a ajuda de um homem armado para pressionar a vítima. Segundo a gravação, as agressões começaram enquanto a jovem procurava um anel que teria desaparecido dentro da casa. “Ele já veio com uma jumenta de uma arma… eu disse: vem cá, meu anel não tem perna nem asa para sair voando, eu quero que tu vá pegar”, diz.
Mesmo após o anel ser encontrado, a violência continuou. “Tapa, menina, dei. Gente, eu dei tanto que minha mão está inchada”, completa a suspeita em outro trecho.
A vítima, Samara Regina, registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. O laudo confirmou as agressões. Fotos mostram marcas pelo corpo, incluindo ferimentos na cabeça, que, segundo relato, foram causados por uma coronhada.



O caso é investigado pela Polícia Civil do Maranhão, por meio do 21º Distrito Policial do Araçagi. Segundo o delegado Walter Wanderley, há provas da violência. “A materialidade da agressão física está comprovada. A olho nu e pelas fotografias, a gente confirma que ela foi agredida”, afirmou.
O delegado também destacou a gravidade do caso. “Isso aqui está caracterizando tortura. Ela foi atraída para uma situação e acabou sendo agredida com violência extrema, inclusive com coronhada”, disse.
A vítima relatou à polícia que o homem envolvido era desconhecido e teria sido chamado pela patroa. As investigações buscam identificar todos os participantes da ação.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Maranhão, Erick Moares, informou que acompanha o caso. “Estamos como amicus curiae, atuando em defesa da empregada doméstica, diante do histórico de falsas acusações contra mulheres negras”, informou.
Ele também destacou que o caso chama atenção pelo histórico da investigada. “Quando identificamos esse padrão de violação de direitos, entendemos a necessidade de atuação institucional para garantir justiça à vítima”, acrescentou.
A Polícia Civil informou que as partes serão intimadas para prestar depoimento. O caso segue sob investigação para esclarecer todos os fatos e responsabilizar os envolvidos.




