Quase dois meses antes de as denúncias de supostas falhas na assistência do Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís, ganharem repercussão na imprensa, um caso já chamava a atenção para problemas apontados por familiares de pacientes atendidos na unidade.
No dia 27 de maio de 2026, o Portal Difusora News divulgou a denúncia da família do pequeno Samuel Sousa Mendes, de apenas sete meses, que relatava uma série de supostas falhas no atendimento prestado à criança durante a internação no hospital.
Na época, os familiares denunciaram que Samuel, que nasceu com uma má-formação na traqueia e faz uso de traqueostomia desde o nascimento, teve o quadro de saúde agravado após um procedimento realizado durante a internação. Segundo a família, uma troca da cânula da traqueostomia teria sido feita de forma inadequada por um médico plantonista, deixando a criança desacordada e exigindo uma intervenção de emergência para estabilizá-la.
Os parentes também relataram dificuldades para obter informações sobre o profissional responsável pelo procedimento e afirmaram que o bebê recebeu alta mesmo apresentando alterações em exames e baixa saturação de oxigênio. Dias depois, Samuel precisou ser novamente internado.
Além das críticas à assistência médica, a família denunciou a suposta falta de insumos básicos na unidade, afirmando que precisou comprar materiais como luvas, algodão, álcool e até leite para garantir os cuidados com a criança durante a internação. Também alegou dificuldades para conseguir a transferência do bebê para o Hospital Infantil Juvêncio Matos, onde ele já era acompanhado por um especialista.
À época, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou que Samuel havia sido inserido na regulação estadual para transferência a uma unidade de alta complexidade e afirmou que o Hospital da Criança possuía insumos suficientes para o atendimento, negando falta de materiais na unidade.
O caso de Samuel foi um dos primeiros a tornar públicos relatos de familiares sobre a assistência prestada no Hospital da Criança. Nas semanas seguintes, outras famílias passaram a denunciar situações semelhantes envolvendo supostos erros, demora no atendimento e dificuldades enfrentadas durante internações.
As denúncias ganharam maior repercussão após relatos de familiares que afirmam que crianças morreram em decorrência de suposta negligência médica e de falhas na assistência da unidade.
A sequência de denúncias levou à abertura de investigações por órgãos de controle, incluindo o Ministério Público e outros órgãos fiscalizadores, além de motivar uma auditoria do Ministério da Saúde no Hospital da Criança para apurar as condições de funcionamento da unidade e a qualidade da assistência prestada.
A Prefeitura de São Luís tem negado irregularidades na assistência oferecida pelo hospital e afirma ampliou a capacidade do Hospital da Criança, com aumento de leitos, atendimentos e internações, e sustentou que a unidade atende aos parâmetros técnicos e legais.




