São Luís completa 414 anos nesta terça-feira (8), mas a história da capital maranhense é muito mais antiga do que a data oficialmente celebrada como marco de sua fundação. Segundo o historiador ludovicense Marcus Saldanha, a ocupação humana do território remonta a cerca de 9 mil anos.
A diferença entre esses dois períodos ajuda a dimensionar as transformações pelas quais a cidade passou ao longo dos séculos.
“Se considerarmos 9 mil anos de antiguidade histórica, desde os primeiros habitantes em São Luís, 414 anos foi ‘ontem’”, afirma o historiador.
A declaração chama atenção para uma parte da história da capital que muitas vezes fica em segundo plano diante da imagem associada aos casarões coloniais, aos azulejos portugueses e às ruas do Centro Histórico.
Uma das mudanças mais curiosas na paisagem de São Luís pode ser percebida na região onde atualmente está a Avenida Vitorino Freire.
De acordo com Marcus Saldanha, parte da área que hoje é ocupada pela avenida era coberta pelo mar em determinados períodos históricos.
“Boa parte da hoje Avenida Vitorino Freire era mar”, explica.
A configuração da cidade também era diferente para quem chegava por antigas rotas de acesso. O historiador cita o antigo Porto do Sá Viana, região de desembarque que, na configuração atual da cidade, ficaria próxima ao Parque Bom Menino.
A partir dali, o deslocamento seguia pelo antigo Caminho Grande, nome utilizado antes de a via ser conhecida como Rua Grande. O percurso alcançava áreas que hoje correspondem a bairros como Monte Castelo, João Paulo, Anil e Maioba.
As mudanças mostram que a São Luís atual é resultado de sucessivas transformações urbanas e territoriais ocorridas ao longo dos séculos.
Patrimônio vai além dos casarões e azulejos
O Centro Histórico é uma das principais referências quando se fala sobre São Luís. O conjunto arquitetônico da cidade contribuiu para o reconhecimento de São Luís como Patrimônio Mundial da UNESCO, em 1997.
Mas, segundo Marcus Saldanha, reduzir esse patrimônio às construções históricas é deixar de lado parte importante da identidade da capital.
“O título de Patrimônio da Humanidade diz respeito ao seu patrimônio arquitetônico, mas também sua gente e cultura”, destaca.
Para o historiador, a preservação da cidade precisa considerar também as manifestações culturais, os costumes, os modos de falar e as formas de ocupação do espaço urbano que foram construídas ao longo das gerações.
A discussão sobre patrimônio, segundo Saldanha, passa diretamente pela identidade dos ludovicenses. Para ele, reconhecer as características que diferenciam São Luís é fundamental para preservar a singularidade da cidade.
“Se não entendermos o significado disso e não reconhecermos nossa identidade nisso, jogamos fora toda nossa singularidade”, alerta.





