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Mãe relata ataques nas redes sociais após denunciar morte do filho no Hospital da Criança

Foto: TV Difusora/Reprodução

A mãe do pequeno Otto, Leiciane Barbosa Lica, afirmou que tem sido alvo de ataques nas redes sociais desde que passou a denunciar o que considera falhas no atendimento prestado ao filho no Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís. Otto morreu aos 1 ano e 1 mês, após ser internado na unidade, e o caso é investigado sob suspeita de negligência médica.

Em entrevista ao repórter Erick Souza, da TV Difusora, Leiciane disse que, além da dor pela perda do filho, enfrenta uma onda de críticas e acusações de que estaria utilizando a morte da criança com interesses políticos.

“Está sendo muito difícil. Já é difícil vir falar sobre tudo o que aconteceu, porque é muito difícil reviver tudo. E receber muitas mensagens de cunho muito difícil de ouvir, de ver. Estão me marcando em vários comentários dizendo que tudo o que eu estou fazendo é usar meu filho para ajudar político, sendo que, em nenhum momento, em nenhuma reportagem, foi falado sobre nenhum político. Só foram relatados os fatos que realmente aconteceram”, afirmou.

Ela ressaltou que as denúncias não começaram agora e que vem tornando pública a situação desde as primeiras internações do filho. “Eu estou fazendo essas denúncias desde o nascimento dele, desde todas as passagens dele pelo hospital. Já dei entrevistas em outubro, quando tudo começou, quando houve a troca de médicos. Então, não é uma coisa de agora”, disse.

Leiciane afirma que, após tornar pública a história de Otto, passou a receber mensagens de outras mães que dizem ter vivido situações semelhantes no Hospital da Criança. Segundo ela, muitas relatam a perda dos filhos na unidade e afirmam sentir-se representadas pela iniciativa de denunciar o caso.

Para a mãe, a repercussão reforça a necessidade de expor o problema para evitar que novas famílias enfrentem o mesmo sofrimento. Ela destaca que as vítimas não podem ser tratadas apenas como estatísticas e lembra que cada morte representa uma vida interrompida e uma família profundamente marcada pela perda.

“A gente entende que está fazendo um papel importante. Aquilo tem que ser mostrado. Tem que ser feito alguma coisa. Não pode continuar crianças morrendo da forma que é. Não são números, são vidas. São crianças que tiveram suas vidas interrompidas”, desabafou.

A luta de Otto

Ao recordar o filho, Leiciane descreve Otto como uma criança que demonstrou força durante toda a sua trajetória. O menino morreu aos 1 ano e 1 mês, após enfrentar sucessivas internações.

Segundo a mãe, a família tentou transferi-lo para outra unidade porque já havia passado por problemas semelhantes em uma internação anterior. Na ocasião, Otto foi encaminhado para a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão (Materno Infantil), onde recebeu atendimento que possibilitou sua recuperação e retorno para casa.

Meses depois, no entanto, Otto desenvolveu uma infecção intestinal e precisou voltar ao Hospital da Criança. Dessa vez, ele não resistiu. “Infelizmente, ele teve uma infecção intestinal e teve que voltar para o Hospital da Criança. E não saiu mais”, concluiu.

O caso integra a série de denúncias sobre supostas falhas na assistência prestada pelo Hospital da Criança de São Luís. As denúncias levaram à abertura de investigações por órgãos de controle e motivaram uma auditoria do Ministério da Saúde na unidade. Enquanto as apurações continuam, familiares de pacientes cobram responsabilização e mudanças no atendimento oferecido às crianças.

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