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Banco Central reduz Selic para 14,25% ao ano; CNI considera corte insuficiente

Terceiro corte consecutivo da Selic busca equilibrar controle da inflação e crescimento econômico, mas setor produtivo pede reduções mais intensas.

Fonte: Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (17) uma nova redução da taxa básica de juros da economia. A Selic passou de 14,50% para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização monetária, em março.

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito fica mais caro para famílias e empresas, encarecendo financiamentos, empréstimos e compras parceladas. Já a redução da taxa tende a estimular o consumo, os investimentos e a atividade econômica.

Ao justificar a decisão, o Copom destacou que o cenário internacional ainda exige cautela. Segundo o comitê, as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de commodities, como petróleo e alimentos, continuam influenciando as perspectivas para a inflação e a economia global.

O Banco Central também avaliou que a atividade econômica brasileira segue apresentando sinais de força. De acordo com o Copom, houve aceleração da economia no primeiro trimestre do ano e o mercado de trabalho continua resiliente. Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação permanecem acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que reforça a necessidade de uma redução gradual dos juros.

Em comunicado, o comitê informou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos indicadores econômicos e do comportamento da inflação nos próximos meses. O objetivo é garantir a convergência dos preços para a meta sem comprometer o crescimento da economia.

CNI avalia que redução foi insuficiente

A decisão, no entanto, não foi bem recebida por parte do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o corte de 0,25 ponto percentual como insuficiente para enfrentar as dificuldades financeiras enfrentadas por empresas e consumidores.

Segundo a entidade, mesmo após a redução, a Selic continua em um patamar elevado e permanece cerca de 3,1 pontos percentuais acima da taxa considerada de equilíbrio para conciliar crescimento econômico e controle da inflação.

Para a CNI, os juros elevados seguem dificultando investimentos, encarecendo o crédito e limitando a expansão da atividade produtiva. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a decisão tem impacto limitado sobre a economia real.

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, declarou.

A entidade também avalia que há espaço para cortes mais intensos nas próximas reuniões do Copom. Segundo a CNI, a redução das tensões geopolíticas e a queda recente dos preços do petróleo podem contribuir para um ambiente mais favorável ao controle da inflação e à continuidade da flexibilização monetária.

Impactos dos juros elevados

Mesmo com a nova redução, a Selic permanece em um dos níveis mais altos dos últimos anos. Para especialistas e representantes do setor produtivo, o patamar atual ainda mantém o crédito caro, dificulta a tomada de financiamentos e reduz a capacidade de investimento das empresas.

A expectativa agora se volta para as próximas reuniões do Copom. O mercado acompanhará os indicadores de inflação, atividade econômica e cenário internacional para avaliar se o Banco Central continuará reduzindo os juros e em qual ritmo ocorrerão os próximos cortes.

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