Foram registrados 36 casos de invasões possessórias e exploração ilegal
Foram registrados 36 casos de invasões possessórias e exploração ilegal
O Maranhão aparece com destaque negativo na edição 2024 do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no dia 28 de julho. O documento mostra que o estado enfrenta uma escalada preocupante de conflitos territoriais, ataques armados, desmatamento e omissão do poder público.
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Em 2024, foram registrados 36 casos de invasões possessórias e exploração ilegal de recursos em terras indígenas maranhenses, além de 35 conflitos por direitos territoriais. A pressão de fazendeiros, grileiros e madeireiros resultou em quatro assassinatos, quatro tentativas de homicídio, três casos de lesão corporal e sete ameaças – inclusive de morte.
As Terras Indígenas mais atingidas são Alto Turiaçu, Arariboia, Caru, Cana Brava, Krikati, Porquinhos, Bacurizinho, Kanela e Taquaritiua. Na TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, por exemplo, o desmatamento aumentou 125% em relação ao ano anterior. Já a TI Governador/Pyhcop Cati Ji, em Amarante, segue sem qualquer providência de demarcação.
O relatório também aponta o agravamento da situação após a aprovação do Marco Temporal, que dificultou novas demarcações e aumentou a disputa por território. Houve ainda denúncias sobre tentativas de contratos de crédito de carbono em áreas sob conflito.
Entre os casos mais graves estão o ataque armado contra 24 indígenas Ka’apor na TI Alto Turiaçu, a tentativa de homicídio da líder Diana Gavião, o assassinato de uma criança Guajajara e o atropelamento de dois indígenas Krikati.
A omissão do Estado também é denunciada: 57 casos de mortalidade infantil, quatro mortes por falta de atendimento de saúde, oito suicídios e 14 situações de desassistência educacional foram registrados. Escolas sem estrutura, evasão escolar e ausência de professores qualificados estão entre os principais problemas enfrentados pelos povos originários.
O Maranhão perdeu, só em 2024, cerca de 218 mil hectares de vegetação nativa — o pior índice do país, pelo segundo ano seguido, segundo o relatório.
Para o Cimi, os dados revelam não apenas a violência física, mas um sistema estruturado de negação de direitos e abandono institucional. O relatório é publicado anualmente desde 1996 e se consolidou como referência na denúncia das violações enfrentadas pelos povos indígenas brasileiros.