De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 15 pacientes por ano precisam desses tipos de transplantes no Brasil.
-fevereiro 10, 2026
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 15 pacientes por ano precisam desses tipos de transplantes no Brasil.
Neste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com dois novos procedimentos importantes para pacientes que enfrentam doenças graves e necessitam de transplantes complexos. O transplante de intestino e o multivisceral — que envolve a substituição de vários órgãos ao mesmo tempo — foram incorporados de forma definitiva ao SUS, ampliando as opções para quem precisa de tratamentos avançados e, muitas vezes, urgentes.
Luiz Henrique Perillo, arquiteto de 41 anos, luta contra o tempo. Ele está na fila de transplante e precisa de cinco órgãos, todos provenientes do mesmo doador. “Eu preciso de estômago, pâncreas, fígado, intestino e mais um rim”, diz Luiz, que vê sua qualidade de vida drasticamente afetada pela condição de saúde.
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“Eu consigo fazer uma coisa ou outra, mas não da forma que eu praticava antigamente. Tinha ali a minha liberdade financeira, isso eu não consigo mais.”
Luiz é portador de trombofilia, uma doença que provoca a formação de coágulos e tromboses, afetando a circulação sanguínea no sistema digestivo. A perda de quase todo o intestino e o desgaste de outros órgãos o levaram à necessidade de um transplante multivisceral — um procedimento que substitui vários órgãos da região abdominal de uma vez.
“As pessoas têm que entender que elas têm a possibilidade de salvar até oito vidas após sua partida. Não tem porque a gente levar essa vida para debaixo da terra, se a gente pode continuar dando vida para outras pessoas que precisam, como eu”, diz.
Até o mês passado, os transplantes multivisceral e de intestino delgado estavam disponíveis no SUS apenas em hospitais conveniados com o Ministério da Saúde. Agora, esses procedimentos foram definitivamente incorporados ao sistema público de saúde, oferecendo uma nova esperança a quem precisa desses transplantes especializados.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 15 pacientes por ano precisam desses tipos de transplantes no Brasil, uma demanda que, até agora, era atendida de forma limitada.
Para o cirurgião Rômulo Almeida, especialista em aparelho digestivo, a incorporação dessas cirurgias ao SUS é um passo fundamental.
“É alentador para essa população e para nós, que acompanhamos o sofrimento dessas pessoas. Esperamos que com esse passo inicial, o serviço público, as instituições possam dar andamento e suprir essa necessidade da população”, analisa.
Contudo, para que esses transplantes possam ser realizados com sucesso, é crucial que haja um incentivo à doação de órgãos. Robério Melo, presidente do Instituto Brasileiro de Transplantados (IBTx), lembra da importância da conscientização das famílias.
“Hoje existe uma fila de mais ou menos 45 mil pessoas à espera de um transplante. Eu quero conscientizar as pessoas de que o transplante salva e recupera a vida das pessoas”, ressalta.