Trabalhadores, lideranças de centrais sindicais e representantes de movimentos sociais realizaram um ato público no Largo do Carmo, na Praça João Lisboa, Centro Histórico de São Luís. A manifestação fez parte da agenda nacional em defesa do fim da jornada de trabalho na escala 6×1 e pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) no Congresso Nacional.
Críticas à sobrecarga e defesa do modelo 5×2
Durante o protesto, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MA), Força Sindical (FS-MA) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-MA), além de entidades como o MST e a Marcha Mundial das Mulheres, defenderam a adoção da escala 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso). As lideranças apontaram os prejuízos da rotina atual para a saúde física, mental e o convívio familiar da classe trabalhadora.
“A escala 6×1 é exploratória, ela não dá ao trabalhador a oportunidade de lazer. A gente busca uma escala mais saudável, como a de cinco dias de trabalho por dois de descanso”, afirmou o presidente da Força Sindical no Maranhão, Frazão.

O presidente da CUT-MA, Manoel Lages, destacou o desgaste acumulado pelos trabalhadores. “Cabe a nós vir para a rua cobrar do Senado. A classe trabalhadora precisa descansar mais, está muito estafada. Com o modelo atual, muitos acabam submetidos até a jornadas de sete dias por zero de folga”, ressaltou.
Votação no Senado Federal
A mobilização no Maranhão ocorreu às vésperas da análise da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, agendada para esta quarta-feira, 2 de setembro. O texto da PEC 221/2019, que conta com parecer favorável do relator, propõe a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial — transicionando para 42 horas após dois meses de promulgação e atingindo 40 horas ao fim de 12 meses.
Apesar da sinalização positiva nas articulações nacionais, líderes sindicais mantêm o tom de alerta quanto à apreciação legislativa. “A expectativa é boa, os números apontam que temos voto suficiente, mas como o Senado tem uma composição de maioria patronal, não podemos cruzar os braços. Esta semana é decisiva”, ponderou o presidente da CTB-MA, Joel Nascimento.
Caso seja aprovada na CCJ, a proposta seguirá para deliberação e votação no plenário do Senado Federal em dois turnos antes de eventual promulgação.





