A advogada explicou que o sistema de transporte da capital maranhense é subfinanciado
A advogada explicou que o sistema de transporte da capital maranhense é subfinanciado
A advogada e especialista em mobilidade urbana e políticas públicas Naiara Moraes concedeu entrevista ao programa Tá Na Hora Maranhão, da TV Difusora, e fez uma análise técnica sobre os problemas do transporte coletivo em São Luís, em meio à greve dos rodoviários.
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Segundo Naiara, discutir transporte público exige separar emoção de técnica. Ela afirmou que o tema é sensível porque afeta diretamente a rotina das pessoas, mas precisa ser tratado com base em dados e planejamento. Para a especialista, a realidade de São Luís se repete em outros estados, com conflitos frequentes entre usuários, trabalhadores, empresários e poder público.
A advogada explicou que o sistema de transporte da capital maranhense é subfinanciado. De acordo com ela, o valor pago na catraca não é suficiente para cobrir todos os custos do serviço, como salários, manutenção da frota e investimentos. Por isso, entra em cena o subsídio público, que serve para evitar o aumento da tarifa para a população.
Naiara destacou que o subsídio não é exclusividade de São Luís e existe em praticamente todo o Brasil. No entanto, ela apontou que, na capital maranhense, o valor repassado não garante o equilíbrio econômico do sistema. Como comparação, citou o Piauí, onde o subsídio mensal é semelhante ao de São Luís, mesmo com uma frota três vezes menor.
Para a especialista, a falta de equilíbrio financeiro prejudica todo o sistema. Ela afirmou que não é possível exigir ônibus melhores e climatizados sem que haja condições econômicas para isso. O resultado, segundo ela, são conflitos recorrentes, greves e insatisfação geral.
Outro ponto abordado foi a instabilidade no pagamento do subsídio. Naiara alertou que o recurso não deve ser usado como instrumento de punição, mas como política pública para garantir previsibilidade e estabilidade ao sistema. “Subsídio serve para segurar o preço da passagem, não para ser cortado ou reduzido de forma irregular”, explicou.
Ao falar sobre soluções, a advogada reforçou que não existem respostas simples para problemas complexos. Ela defendeu mais diálogo técnico, transparência nos cálculos e decisões compartilhadas entre prefeitura, empresas, trabalhadores e sociedade.
Naiara concluiu afirmando que todos estão “no mesmo barco” população, rodoviários e empresários e que cabe ao município conduzir o sistema de forma equilibrada. “A prefeitura é quem segura o leme. Sem planejamento técnico, o risco é o sistema afundar”, finalizou.