Caso aconteceu na madrugada do dia 17 para 18 de fevereiro, enquanto Núbia estava de plantão na unidade AMAR
Caso aconteceu na madrugada do dia 17 para 18 de fevereiro, enquanto Núbia estava de plantão na unidade AMAR
A família da técnica de enfermagem Núbia Regina dos Santos Silva, de 59 anos, denuncia que ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante o horário de trabalho no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em São Luís.
Segundo a filha, Márcia Silva, o caso aconteceu na madrugada do dia 17 para 18 de fevereiro, enquanto Núbia estava de plantão na unidade AMAR.
De acordo com Márcia, a mãe recebeu um chamado para atender uma jovem baleada e com traumatismo na cabeça. Ela afirma que a técnica estava sozinha no plantão. A filha relata que, mesmo sendo uma unidade de suporte básico, não foi enviada uma Unidade de Suporte Avançado (USA), que teria médico na equipe.
Durante o atendimento, Núbia teria realizado manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) sozinha. Segundo a filha, o esforço foi intenso e exaustivo. Ainda conforme o relato, a técnica caiu no chão por exaustão e começou a convulsionar. Ela foi socorrida e diagnosticada com AVC hemorrágico.
“Minha mãe é uma mulher de 59 anos. Ela estava sozinha. Não tinha unidade de suporte avançado. Eu não sei até onde vai a negligência”, afirmou Márcia.
A família solicitou ao Samu a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento que comprova que o problema de saúde ocorreu durante o serviço. Segundo Márcia, o documento não foi fornecido. Ela afirma que recebeu apenas uma declaração simples, com horário diferente do que teria ocorrido o episódio.
A ficha de entrada no hospital registra que Núbia deu entrada às 6h50 da manhã. No entanto, colegas de trabalho teriam informado que o mal súbito aconteceu entre 4h e 5h.
Márcia afirma que a mãe trabalhou por 20 anos na instituição e que, atualmente, a família é quem arca com todos os custos do tratamento. “O município não arca com nada. Quem cuida dela é a família”, disse.
Além do caso de Núbia, outras denúncias sobre as condições de trabalho no Samu foram encaminhadas ao Legislativo.
Os relatos apontam sobrecarga de trabalho, baixos salários, jornadas excessivas e falta de estrutura adequada para descanso das equipes.
Segundo o deputado Yglésio Moyses, há denúncias de profissionais dormindo no chão, em colchões deteriorados, além de problemas com alimentação e escalas que não respeitam férias e 13º salário.
O parlamentar também afirmou que há suspeita de irregularidades na frota de ambulâncias.
De acordo com ele, o município estaria operando com número reduzido de ambulâncias e alterando a identificação dos veículos para manter o cadastro de 12 unidades junto ao Ministério da Saúde, garantindo assim o repasse de recursos. As denúncias ainda serão apuradas.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de São Luís informou que tem conhecimento do caso envolvendo a servidora Núbia Regina dos Santos Silva, ocorrido em 18 de setembro de 2025.
Após apuração administrativa, constatou-se que a servidora estava em escala regular de serviço. A ambulância em que atuava operava com tripulação regular, composta por condutor e técnico de enfermagem, conforme normas do Ministério da Saúde para Unidades de Suporte Básico de Vida.
A acionamento de Unidade de Suporte Avançado segue critérios técnicos definidos pela Central de Regulação Médica, de acordo com protocolos oficiais.