Entra em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A medida, adotada pelo governo do presidente Donald Trump e anunciada no dia 15 de julho, afeta cerca de 20% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras passarão a ser atingidos pela sobretaxa. Inicialmente, o impacto previsto era de US$ 9,4 bilhões, mas o valor foi reduzido após a ampliação da lista de produtos isentos.
De acordo com a ApexBrasil, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aumentou de 615 para 699 o número de produtos brasileiros excluídos da tarifa. Com isso, aproximadamente 60,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 22,8 bilhões, permanecerão livres da cobrança adicional.
Entre os produtos que continuam sujeitos à nova tarifa estão itens dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Já a lista de isenções foi ampliada para incluir segmentos como ferro fundido, pescados, couros, madeira, hidróxido de alumínio, mel, objetos de arte e alguns produtos plásticos.
Justificativa dos Estados Unidos
A tarifa foi aplicada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano alega que o Brasil adota práticas consideradas desleais no comércio bilateral.
Entre os pontos citados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao sistema de pagamentos eletrônicos (Pix), à regulamentação das redes sociais, ao combate ao desmatamento ilegal, ao acesso ao mercado de etanol, às políticas de combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual e aos acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países.
O governo brasileiro contesta essas justificativas e afirma que a medida tem motivação política. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as negociações incluíram pedidos considerados excessivos pelos representantes norte-americanos, sem oferta de contrapartidas.
Impactos para empresas
Na avaliação da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a sobretaxa representa um cenário desfavorável para a relação comercial entre os dois países. A entidade afirma que a medida pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras dos setores industrial e do agronegócio.
A Amcham também avalia que a tarifa poderá aumentar os custos para empresas e consumidores norte-americanos, reduzir a competitividade de indústrias que utilizam matérias-primas brasileiras e ampliar a dependência dos Estados Unidos de fornecedores de outros mercados.
Apesar das críticas, a entidade considerou positiva a ampliação da lista de produtos isentos e defendeu a criação de um mecanismo que permita incluir novos itens entre as exceções, reduzindo os impactos para empresas dos dois países.
Medidas anunciadas pelo Brasil
Como resposta ao tarifaço, o governo brasileiro informou que retomará programas de apoio aos setores afetados. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de ações para ampliar a venda de produtos brasileiros em novos mercados internacionais.
A ApexBrasil também anunciou que deve apresentar, em agosto, um plano de aproximadamente R$ 130 milhões para incentivar a diversificação das exportações brasileiras. A estratégia prevê ampliar a presença de produtos nacionais em mercados como União Europeia, países do Sudeste Asiático e nações da Ásia Central.





