Dificuldade no acesso a vouchers, prejudica os usuários do transporte público durante a Greve decretada.
Dificuldade no acesso a vouchers, prejudica os usuários do transporte público durante a Greve decretada.
Centenas de pessoas que utilizam o transporte público na Grande Ilha de São Luís enfrentam dificuldade para se deslocar ao trabalho, às universidades ou cumprir suas atividades desde que foi decretada a Greve do sistema urbano da Capital.
Como alternativa, a Prefeitura Municipal de São Luís estava disponibilizando vouchers em transporte por aplicativos. O benefício prevê desconto de até R$ 30 reais por corrida, podendo ser utilizado em até dois deslocamentos. No entanto, muitos usuários estão reclamando da dificuldade para terem acesso ao serviço, devido os vouchers não estarem disponíveis, principalmente nos horários de pico.
Este é o caso da graduanda de jornalismo que trabalha como Social Media, Atalia Luz. Todos os dias ela necessita pegar quatros conduções para se deslocar do Cohatrac, onde mora, até o local onde trabalha, na Península.
Segundo a estudante, ao tentar utilizar o benefício na manhã desta segunda-feira (16), os vouchers já não estavam disponíveis como nos dias anteriores. Até as 9h, a estudante ainda não havia conseguido chegar ao trabalho.
“Quando tem ônibus também é muito complicado. Eu passo cerca de duas horas no trajeto de transporte público. Preciso pegar um ônibus para a Cohab, depois da Cohab para a Cohama e da Cohama para a Península. Na volta é a mesma coisa. No fim das contas, são cerca de quatro horas do meu dia dentro de ônibus”, relata.
Para tentar chegar ao trabalho durante a paralisação, a estudante utilizou dois ônibus do sistema semiurbano, que não aderiram à greve, e seguiu parte do trajeto. No meio do caminho, tentou completar o deslocamento com um carro por aplicativo.
“É complicado, a gente perde o direito de ir e vir. Quando tem ônibus já não é fácil, demora muito. Quando não tem, é ainda pior. A população de São Luís sofre com esse problema constantemente, porque as greves são frequentes e acabamos sempre prejudicados”, afirma.
Apesar da greve no transporte público, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) manteve o calendário acadêmico e iniciou normalmente o semestre letivo nesta segunda-feira (16). Devido a ausência do transporte público, impacta a vida dos estudantes que dependem exclusivamente dele para chegar ao campus.
Moradora do bairro Vinhais, a estudante Ana Costa precisa pegar três conduções diariamente para chegar à UFMA, localizada no bairro do Bacanga. Segundo a estudante, embora o voucher tenha sido anunciado como alternativa, o acesso ao benefício não tem ocorrido de forma efetiva. “Foi anunciado pela prefeitura um voucher de transporte como uma alternativa, porém na prática ele não está funcionando de maneira eficaz. Com isso, muitos estudantes não conseguem utilizar ou sequer encontram essa disponibilidade, o que torna a situação ainda mais frustrante. Espero sinceramente que essa situação seja resolvida com urgência e que haja mais compreensão com todos nós que estamos sendo prejudicados com a falta de transporte público”, cita a estudante de letras.
A estudante de Relações Públicas, Paula Coutinho, está sentindo no bolso as consequências da greve e do aumento dos valores cobrados pelos carros de aplicativos. A estudante mora no bairro do São Cristovão e precisa de três ônibus para chegar a Ufma, que fica no Bacanga.
Nesta manhã, por volta das 7h30, ao solicitar o aplicativo o valor da corrida estava R$ 66 reais e devido a chuva ela preferiu não arriscar o pedido de motocicleta. O voucher também não atende todas as situações. “E como fica se o estudante precisa ir pela manhã ao estágio e pela tarde à universidade? Sendo que a prefeitura disponibiliza apenas dois por dia? E como o aluno volta para sua casa? A conta não fecha.”, questiona Paula.
Em uma simulação no aplicativo o trasporte por motocicleta estava saindo por R$ 8 reais e de carro RS10 reais. “É impossível para um estudante pagar R$ 18 reais por dia para ir e volta à universidade, sendo que a passagem dos ônibus custa R$ 4,20 reais”, disse.

O Portal Difusora News solicitou nota a Prefeitura de São Luís sobre a disponibilidade dos vouchers durante a Greve, mas ainda não tivemos retorno da demanda.
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) informa à comunidade acadêmica que acompanha atentamente a situação da greve dos rodoviários na Grande São Luís, iniciada na última sexta-feira, 13 de março. Não obstante o cenário de paralisação, a instituição comunica que o início do período letivo 2026.1 está mantido para esta segunda-feira, 16 de março, em observância ao Calendário Acadêmico aprovado.
A manutenção do cronograma fundamenta-se na necessidade de preservar o funcionamento regular das atividades acadêmicas, visto que eventuais alterações no início do semestre acarretariam a revisão compulsória do calendário de férias de discentes e docentes, além de comprometer o encerramento do ano letivo, previsto para 19 de dezembro de 2026.
Ressalta-se que a primeira semana de aulas é, em geral, composta por atividades de acolhida aos ingressantes, ajustes de matrícula, orientação acadêmica e outras ações institucionais voltadas à integração e à permanência estudantil.
A decisão considera, ainda, a expectativa dos novos estudantes que iniciam sua trajetória universitária após o processo seletivo via SiSU, sendo este um momento fundamental de adaptação à vida acadêmica. Do mesmo modo, a UFMA reafirma seu compromisso com os estudantes veteranos e concluintes, cujos cronogramas de integralização curricular e colações de grau dependem da regularidade do calendário institucional.
Por fim, a universidade seguirá monitorando os desdobramentos da situação do transporte público e os possíveis impactos sobre a comunidade universitária. Quaisquer novas decisões ou orientações institucionais serão pronta e amplamente comunicadas por meio dos canais oficiais da UFMA.