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Sem rede de apoio: mães atípicas enfrentam rotina de sobrecarga e desgaste emocional na criação dos filhos

Diante do diagnóstico, a maternidade idealizada pela sociedade sofre modificações durante o tratamento e processo de adaptação do “novo” cotidiano.

A rotina de mães atípicas é uma ação intensa que enfrenta barreiras contínuas no cuidado de pessoas com necessidades cognitivas, físicas ou emocionais, segundo a psicóloga Evelyn Lindholm.

Diante do diagnóstico, a maternidade idealizada pela sociedade sofre modificações durante o tratamento e processo de adaptação do “novo” cotidiano.

Recentemente, um vídeo que circula nas redes sociais chamou a atenção ao mostrar o desabafo de uma mãe de criança atípica, que relatou o esgotamento físico e emocional diante das dificuldades enfrentadas na criação do filho. A repercussão do caso, no município de Bacabal, reacendeu o debate sobre a realidade vivida por muitas mães solos que cuidam de crianças com necessidades especiais no Brasil.

Vídeo: reprodução/ André Luís

Como é o caso da Assistente Social Rosangela Sousa, mãe de uma adolescente de 16 anos que saiu do nível 2 de TEA para o nível 1. Em entrevista ao Portal Difusora News, a assistente social conta que com o tratamento a filha migrou de uma pessoa não-verbal para uma verbal.

“A Ludmilla [filha] era não verbal até os cinco anos de idade. Quando eu descobri o diagnóstico, ela tinha apenas 2 anos e seis meses, e desde 2013 pra cá a gente teve todo um processo de aceitação”, contou Rosangela.

Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos ou interesses restritos.

De acordo com o Boletim Social do Maranhão, elaborado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC) em 2025, cerca de 75,3 mil pessoas possuem a condição genética de TEA no Maranhão. (possuem a condição ou receberam o diagnóstico?)

Ao receber o laudo da filha, Rosangela confessou que houve um processo de negação, devido a imposição social sobre a idealização de “filhos perfeitos”.

Foto: divulgação/ Rosangela Sousa

“A gente não sabe o que fazer, nem por onde começar. Hoje temos conhecimento sobre o que é TEA, mas há 16 anos não se falava sobre. O autismo era pouco estudado”.

A oficialização do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ocorreu em 2013 pela Associação Americana de Psiquiatria ao lançar o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.

Pressão e julgamento social

A psicóloga Evelyn descreve que muitas vezes a rotina das mães atípicas ocasionam um estado de hipervigilância, gerado pelo medo, ansiedade e o luto da expectativa nutrida do “filho perfeito”.

A mãe atípica disse que Ludmilla iniciou os tratamentos aos três anos de idade, recebendo terapias precoce, fundamental para a mudança do estágio nível 2 para o nível 1.

“A Ludmila passou por um processo de terapia comportamental, ela foi inserida nas atividades e de alguma forma esse processo fez com que ela evoluísse. Hoje a minha filha é verbal”, expressou Rosangela.

Segundo a psicóloga, as mães atípicas frequentemente lidam com julgamentos e falta de compreensão da sociedade, ocasionando uma sobrecarga física mental na vida delas.

“Os cuidados sãos intensos e, geralmente, são realizados exclusivamente pela mãe, que cuida das consultas médicas, acompanhamento escolar e adaptações na rotina familiar, levando o esgotamento progressivo das cuidadoras”, explicou Evelyn.

Mães recebem orientações em Rede de Apoio

Além de cuidadora de Ludmilla, Rosangela faz parte da Associação de Amigos e Familiares das Pessoas com Autismo de São José de Ribamar. A associação é um espaço em que mães atípicas com diagnóstico recentes são orientas sobre as adaptações na rotina para um cuidado adequado com os filhos e onde, também, equipes de profissionais atuam com atendimento médico nas crianças e adolescentes com TEA.

“Mesmo aos 16 anos, ela [Ludmilla] ainda tem a rotina de terapia e outras atividades para que ela possa continuar vivendo, porque o autismo não é uma doença então ele não tem cura, é algo que ela vai ter que conviver ao resto da vida”, disse.

A necessidade de uma rede de apoio adequada não ajuda apenas no cotidiano das mães, como também no desenvolvimento do tratamento do portador da condição genética. A busca por esse apoio, seja na família ou em associações comunitárias, contribuem para reduzir a sobrecarga imposta exclusivamente na figura materna.

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