Ricardo Pereira da Silva, conhecido como Ricardo Barbalho, foi condenado a 18 anos e 11 meses de prisão pela participação na morte do médico Bruno Calaça Barbosa. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri de Imperatriz após um julgamento que começou na manhã de quinta-feira (24) e terminou já na madrugada desta sexta-feira (25).
O julgamento, que durou quase 15 horas, aconteceu no Fórum de Justiça Desembargador Raimundo Freire Cutrim e foi conduzido pelo juiz Glender Malheiros Guimarães, titular da 2ª Vara Criminal de Imperatriz.
Durante a sessão, os sete jurados que formaram o Conselho de Sentença analisaram as provas do caso e ouviram testemunhas, algumas delas por videoconferência. Ao final, a maioria decidiu pela condenação de Ricardo com base na acusação apresentada pelo Ministério Público do Maranhão.
Além da pena de prisão, a sentença determinou o pagamento de R$ 10 mil à família de Bruno por danos morais.
A defesa do réu solicitou o adiamento do júri, alegando a ausência de testemunhas consideradas essenciais. O juiz responsável rejeitou o pedido. Segundo a decisão, os advogados deixaram passar o prazo legal para informar o paradeiro das testemunhas ou solicitar a substituição.
Mandado de prisão foi cumprido no Fórum
Ricardo compareceu espontaneamente ao Fórum para o julgamento, mas teve um mandado de prisão cumprido no local. A ordem de prisão já havia sido expedida pela Justiça.
No início da sessão, os advogados de defesa pediram que o julgamento fosse adiado por causa da ausência de testemunhas consideradas importantes para o caso. O pedido foi negado pelo juiz.
Segundo a decisão, a defesa não teria informado dentro do prazo previsto onde estavam as testemunhas nem pedido a substituição delas.
Durante a entrada das testemunhas no plenário, o irmão de Bruno Calaça chegou a agredir o réu com um tapa na cabeça.
Acusação e defesa apresentam versões
Durante os debates, o Ministério Público afirmou que Ricardo participou da abordagem que terminou na morte de Bruno e assumiu o risco de que o médico fosse atingido ao se envolver na confusão ao lado de Adonias Sadda, que estava armado.
A defesa pediu a absolvição de Ricardo e afirmou que não havia provas suficientes para apontar a participação dele na morte do médico.
Na votação, realizada em uma sala reservada, os jurados entenderam que Ricardo assumiu o risco do disparo que matou Bruno ao participar da situação que terminou no assassinato.
Os jurados também reconheceram que Bruno teve a defesa dificultada durante a ação. Já a tese de motivo fútil não foi aceita.
Depois da votação, o juiz voltou ao plenário e leu a sentença na presença dos familiares de Bruno, da defesa e das demais partes. Ricardo deixou o Fórum preso.
Morte de Bruno Calaça
Bruno Calaça Barbosa foi morto com um tiro no peito em 26 de julho de 2021, dentro de uma casa noturna na Avenida Beira Rio, em Imperatriz. O crime aconteceu no fim de uma festa.
O caso já teve outro julgamento. Em 2023, Adonias Sadda, ex-policial militar apontado como autor do disparo que matou o médico, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 23 anos e quatro meses de prisão.
Com a nova condenação, Ricardo Pereira da Silva também passa a cumprir pena pela participação no caso que terminou com a morte de Bruno Calaça.






