Uma pesquisa realizada por pesquisadores do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) identificou 312 partículas de microplásticos em 46 peixes da espécie pirapema, encontrados na Lagoa da Jansen, em São Luís. As partículas foram localizadas tanto no estômago quanto no tecido muscular dos animais.
As coletas foram realizadas entre janeiro e maio de 2025, período escolhido pelos pesquisadores para observar diferentes condições sazonais da lagoa. O estudo surgiu a partir da preocupação com o descarte irregular de resíduos sólidos na região e os possíveis impactos desse material sobre as espécies que vivem no local.
A pirapema, cujo nome científico é Megalops atlanticus, foi escolhida como objeto da pesquisa para avaliar a presença de partículas plásticas no organismo dos animais.

Como os microplásticos chegam à lagoa
Os microplásticos são pequenos fragmentos de plástico que podem surgir a partir da decomposição de materiais maiores, como sacolas, embalagens e outros resíduos. Quando descartados de forma inadequada, esses materiais podem chegar à água e se fragmentar ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, a presença das partículas nos peixes é um indicativo de que existe contaminação no ambiente. O estudo também aponta a necessidade de avaliar quais são as possíveis fontes desses resíduos e os efeitos que eles podem provocar nos organismos.
Além do próprio plástico, os pesquisadores alertam que esses materiais podem carregar ou conter substâncias químicas utilizadas durante sua fabricação, o que levanta preocupação sobre possíveis impactos à saúde dos animais.
Pesquisa ainda vai avaliar risco para consumo
A presença de microplásticos nos peixes também levanta questionamentos sobre possíveis consequências para quem consome pescado da região. No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa etapa ainda precisa ser investigada.
O próximo passo do estudo será identificar com mais precisão as partículas encontradas e determinar quais tipos de polímeros estão presentes nos organismos. A equipe pretende produzir relatórios técnicos e encaminhá-los aos órgãos responsáveis pelo monitoramento ambiental.
A intenção é contribuir para o acompanhamento das condições da Lagoa da Jansen e para a adoção de medidas de preservação.
Descarte correto é uma das medidas apontadas
Para os pesquisadores, a redução da poluição depende da diminuição do descarte irregular de resíduos e de ações de controle sobre materiais que chegam à lagoa.
Entre as medidas apontadas estão o descarte adequado do lixo e a atuação do poder público para reduzir possíveis impactos relacionados ao esgoto e aos resíduos que chegam ao ambiente aquático.
O material plástico descartado na natureza pode permanecer por longos períodos no ambiente e, com o tempo, se fragmentar em partículas menores, dificultando sua retirada.
Em nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que realiza vistorias técnicas e acompanha a qualidade da água da Lagoa da Jansen. O órgão também afirmou que trabalha em ações relacionadas à gestão de resíduos sólidos, incluindo a previsão de instalação de lixeiras para coleta seletiva, recipientes adequados para bares e restaurantes e campanhas de conscientização.
A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou que o sistema de esgotamento sanitário sob sua responsabilidade está em funcionamento e que não existem, na lagoa, pontos de descarte de esgoto que sejam de sua competência.
Já a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra) afirmou que o sistema de comportas da Lagoa da Jansen funciona normalmente. Segundo a pasta, também são realizadas coletas periódicas de água para avaliar a demanda bioquímica de oxigênio.
A Sinfra ressaltou, no entanto, que esse monitoramento não inclui análises específicas para identificar ou medir a quantidade de microplásticos presentes na água ou nos peixes da lagoa.


