Especialistas identificaram 33 voçorocas em Buriticupu que podem colocar em situação de risco pessoas que moram próximas na região.
Especialistas identificaram 33 voçorocas em Buriticupu que podem colocar em situação de risco pessoas que moram próximas na região.
O aumento de voçorocas no interior do Maranhão acende uma preocupação em moradores em territórios de risco. Em Buriticupu, cerca de 33 crateras colocam em risco a vida da população.
Segundo o professor de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Marcelino Farias, o fenômeno é um estágio mais avançado de um processo erosivo.
“As voçorocas são ocasionadas tanto por condições naturais, como remoção da vegetação nativa que fica suscetível ao carregamento de água por enxurradas. Mas atualmente são agravadas por condições sociais, pela atuação do ser humano”, disse o professor.
Além de danos materiais, o Doutor em Biodiversidade e Biotecnologia, Keyton Coelho, afirma que a erosão pode provocar também danos ambientais, que afetam o solo, a vegetação e animais e pessoas que vivem na área.
“Uma das principais consequências iniciais é a fragmentação desse habitat. Para os animais, o que a gente vai ter é que esses animais vão perdem as áreas de abrigo. Na vegetação, o solo perde os nutrientes podendo ocasionar assoreamentos de rios próximos”, declarou Keyton.
Devido as fortes chuvas recentes no Maranhão, uma casa foi parcialmente engolida por uma voçoroca em fevereiro deste ano, em Grajaú.
A moradora da casa conseguiu sair a tempo minutos antes da casa ser destruída. Moradores afirmam que a voçoroca avança todos os dias e se tornou uma ameaça para dezenas de famílias do bairro.
A Defesa Civil emitiu um alerta para que a população redobre os cuidados. A orientação é evitar áreas alagadas, não enfrentar correntezas e ficar atento a qualquer sinal de risco, como rachaduras, estalos ou movimentação do solo.
Marcelino Farias conta que a recuperação dos danos causados pelo fenômeno é um processo demorado e que precisa de bastante investimento financeiro, com soluções já conhecidas na engenharia.
“Há soluções de engenharia para conter os processos e impedir que casos de desmoronamento causem mais danos daqueles que já vêm sendo ocasionados. Em geral, se diz que a população está em lugares errados, mas essa população que está ali, ela está por não ter alternativa”, afirmou.
Segundo o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, em 2024, o Governo Federal liberou quase R$ 8 milhões para que a Prefeitura de Buriticupu construísse 89 casas para famílias atingidas pelas voçorocas. Vinte e sete casas estão prontas há quase um ano, mas nunca foram entregues. As obras das outras 35 seguem parada.