A Polícia Civil do Maranhão, através do delegado geral da Polícia Civil (PC-MA), Augusto Barros, divulgou um vídeo oficial atualizando sobre o caso de desaparecimento das crianças em Bacabal.
Segundo o delegado, a mãe das crianças foi convocada pela sua procurada a advogada para ter conhecimento de duas provocações que poderiam ser feitas em casos de pessoas desaparecidas: a Difusão Amarela (solicitada por familiares para localização de pessoas desaparecidas) e a Difusão Azul (utilizada entre autoridades policiais para obter informações sobre indivíduos).
“A partir desse contato criou-se um vínculo imaginário com uma eventual criança que estaria, que estaria nos Estados Unidos esperando identificação por sua mãe, o que não é verdade. Não há nenhum pedido de cooperação internacional feito dos Estados Unidos para com o Estado do Maranhão”, cita Augusto Barros.
A Polícia Civil reiterou que consultou oficialmente a Polícia Federal e obteve a confirmação de que não há registro de crianças maranhenses resgatadas em operações recentes no território norte-americano. “Buscamos a Polícia Federal, obtivemos a confirmação de que não existe pedido algum de cooperação internacional para crianças maranhenses desaparecidas que tenham sido localizadas em alguma operação daquele país. A informação que nós temos é que foram solicitadas informações e pedido de auxílio para que demandem junto a organismos internacionais para que tentem ajudar a localizar estas crianças. Foi o único relato feito, da Polícia Federal, em relação às crianças”, cita o delegado.
A Polícia Civil possui a informação de que foi solicitado dados e pedidos de auxílio para que demandem junto a organismos internacionais para que tentem localizar as crianças.
Banco Nacional de Dados Genéticos
Sobre os procedimentos de identificação, existe um Banco Nacional de Dados Genéticos que é administrado justamente pela Polícia Federal, que é alimentado pelos estados.
O Estado do Maranhão tem, sob o comando da perícia oficial, o Instituto de Genética Forense que carrega esses dados abastecendo o Banco Nacional. Esse Banco Nacional fica à disposição de quem o demandar. “Se os Estados Unidos ou qualquer outro país precisar fazer uma comparação, basta solicitar ao Banco Nacional que eles iniciarão as tratativas no intuito de fazer uma eventual comparação de material genético
A perícia que é um órgão autônomo fez a coleta no local, em Bacabal. Essa coleta era justamente para fazer comparação com as vestes das crianças. E com esses dados já tinha o material genético coletado que foi levado ao Banco Nacional.
“O material genético coletado no local do desaparecimento e das vestes das crianças já foi inserido no sistema nacional, que fica permanentemente disponível para cruzamento internacional de dados caso os Estados Unidos ou outro país solicite uma comparação. As autoridades pontuaram, no entanto, que o banco genético é utilizado prioritariamente para a identificação de restos mortais, sendo a identificação de pessoas vivas conduzida por outros meios periciais e documentais”, cita o delegado.
Ações de busca e balanço da investigação
A força-tarefa montada para elucidar o desaparecimento mobilizou múltiplos recursos operacionais e humanos no estado. O balanço das ações policiais inclui:
Mais de 60 oitivas e depoimentos colhidos;
11 terminais telefônicos interceptados com autorização judicial;
Cumprimento de prisões temporárias no curso do processo;
Buscas terrestres e marítimas com o emprego de unidades K9 (cães farejadores);
Provocação do Senado Federal e de órgãos nacionais e internacionais de Direitos Humanos para ampla divulgação dos casos.
A Polícia Civil do Maranhão confirmou que todas as pessoas apontadas ou avistadas na área onde ocorreu o desaparecimento de crianças foram localizadas, identificadas e interrogadas pelas equipes da força-tarefa.
Segundo a corporação, nenhuma das oitivas ou diligências realizadas produziu elementos que sustentem a tese de que o caso esteja ligado ao tráfico de crianças, seja em âmbito estadual ou internacional.
Tráfico Internacional de pessoas
Apesar de o conjunto de provas e depoimentos colhidos até o momento não aponta diretamente para a ocorrência de rapto articulado para comércio humano, a Polícia Civil ressaltou que a hipótese não foi sumariamente arquivada. Por se tratar de um inquérito em andamento, a manutenção de todas as linhas de apuração é um procedimento padrão adotado para garantir o esgotamento total das possibilidades até a elucidação do caso.
“Tudo o que já foi investigado não leva a crer diretamente que foi isto que aconteceu no caso específico de tráfico internacional de pessoas. Mas como a investigação não foi fechada, essa possibilidade não pode ser descartada. Da mesma forma, não foi encontrada pessoa avistada que não tenha sido localizadas e interrogadas. E nada culminou com a conclusão de que o que havia acontecido ali foi o tráfico de crianças estadual ou internacional”, cita.
Para a Polícia Civil também ainda não há a necessidade de contato com as forças estaduais ou nacionais com organismos internacionais sem um motivo palpável. “É necessário uma pista adequada, uma localização, algum indício de que haja uma pessoa ali. Não sendo este o caso, o que há é a comunicação, a difusão das fotos, com pedido de cooperação. Isso foi feito, tanto junto ao Senado, quanto a organismos nacionais e internacionais de proteção de Direitos Humanos e localização de pessoas desaparecidas”, conta.
Desinformações do Caso
Para a Polícia Civil há uma quantidade massiva de desinformação sobre esse caso.
“Há um esforço hercúleo de muitas forças de segurança na tentativa de localizar essas crianças. E há, infelizmente, uma mãe sofrendo muito, e que recebeu a notícia de que seu filho estaria vivo nos Estados Unidos. Isso não aconteceu. Não há nenhuma criança maranhense nos Estados Unidos hoje procurando sua mãe, que esteja em poder, das autoridades americanas. E isso é muito triste, porque todos nós alimentamos a esperança de encontrar essas crianças, mas a partir de fatos reais. Estes fatos que nós estamos trabalhando em cima, esses fatos que foram divulgados não são reais”, disse na entrevista.


