O Maranhão Atlético Clube (MAC) passou a utilizar a ciência como aliada no acompanhamento dos jogadores durante a temporada. Por meio de uma parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), o clube implantou um programa para avaliar o desempenho físico dos atletas e ajudar na prevenção de lesões.
O trabalho começou a ser estruturado em janeiro e entrou em funcionamento em março. Desde então, os jogadores passaram por diferentes avaliações, com informações utilizadas pela comissão técnica para acompanhar a evolução individual e definir estratégias de treinamento e recuperação.
Ao todo, 45 atletas foram monitorados. Durante o projeto, foram realizadas 615 avaliações de salto, 178 registros individuais por GPS em 15 partidas e 426 análises de termografia, que permitem identificar alterações de temperatura em diferentes regiões do corpo.
O acompanhamento ocorreu ao longo da temporada, incluindo o período entre a primeira e a 18ª rodada da Série C.
Resultados dentro e fora de campo
Um dos principais resultados apontados pelo projeto foi a redução do impacto das lesões. Durante o período analisado, foram registradas 11 lesões de grau 1, consideradas de menor gravidade, e apenas uma lesão de grau 2. Segundo o balanço, nenhum dos casos provocou perda de jogos entre os atletas afetados pelas lesões de grau 1.
O desempenho da equipe também apresentou evolução. A média de pontuação passou de 0,57 para 2,60 pontos por partida durante o período acompanhado pelo projeto.
Ao longo da temporada, o MAC disputou 37 partidas, sendo 11 pelo Campeonato Maranhense, duas pela Copa do Brasil, cinco pela Copa do Nordeste e 19 pela Série C.
O clube encerrou a temporada com os atletas disponíveis e sem registro de lesões graves, de acordo com os dados apresentados pelo projeto.
Avaliações mostram condições físicas dos jogadores
Os pesquisadores utilizaram diferentes métodos para entender como o corpo dos atletas respondia aos treinos e às partidas.
Os testes de salto vertical, por exemplo, ajudaram a medir força, potência e condições neuromusculares. Já o monitoramento por GPS permitiu acompanhar a carga de esforço dos jogadores durante as partidas.
Também foram analisados sono e hidratação. Ao todo, foram feitos 246 registros relacionados a esses dois fatores. Em 17 atletas avaliados em diferentes momentos, os pesquisadores identificaram sinais compatíveis com desidratação após partidas.
Com essas informações, a equipe conseguiu estabelecer estratégias individuais para a reposição de líquidos de acordo com a necessidade de cada jogador.
Acompanhamento também identificou desequilíbrios musculares
A composição corporal foi outro ponto analisado. Nas reavaliações, 31 jogadores apresentaram redução no percentual de gordura.
O projeto também utilizou ultrassom muscular em 26 atletas. O exame identificou sete jogadores que precisavam de um trabalho específico de fortalecimento de um dos lados do corpo para corrigir diferenças musculares.
A termografia foi utilizada como complemento desse acompanhamento. Os 426 registros foram comparados com relatos de dores e desconfortos dos jogadores, ajudando a identificar regiões que precisavam de maior atenção.
Os resultados passaram a ser considerados pelo técnico Jerson Testoni e pelo preparador físico Otávio Everton na definição das cargas de treinamento e das estratégias de recuperação.
Ciência aplicada ao futebol
O projeto é coordenado pelo professor da UFMA Christian Emmanuel Torres Cabido. A proposta é aproximar a produção científica da rotina de um clube de futebol e transformar os dados coletados em informações que possam ajudar nas decisões da equipe.
Além do acompanhamento dos atletas, o projeto contribuiu para a formação de estudantes da UFMA, que participaram das atividades por meio de projetos de iniciação científica e mestrado.
Próximos passos
A parceria deve continuar com a ampliação do acompanhamento na próxima temporada. A proposta é aumentar a frequência das avaliações e incluir novos indicadores, como a variabilidade da frequência cardíaca, o limiar de fadiga e as condições ambientais durante os treinamentos e partidas.
Outra frente em desenvolvimento é uma plataforma digital que deverá reunir os dados dos atletas e produzir relatórios para facilitar o acesso da comissão técnica às informações.
A intenção também é levar a metodologia para as categorias de base e ampliar o uso da ciência no futebol maranhense, aproximando clubes, universidades e profissionais da área.


