Pacientes do Hospital Clementino Moura, no bairro da Santa Efigênia, em São Luís, denunciam o cancelamento de cirurgias e a falta de medicamentos e materiais. Gerido pela Prefeitura de São Luís, o hospital é alvo de várias reclamações, apesar de ser uma unidade referência no atendimento em traumatologia, ortopedia, vascular, cirurgia geral e terapia intensiva adulta da capital maranhense.
Quem precisa de procedimentos cirúrgicos relatou que eles foram cancelados por falta de insumos básicos, como gaze, anestésicos e remédios para dor e febre. O ‘Socorrão 2’ é habilitado como Unidade de Alta Complexidade em Traumatologia e Ortopedia, sendo considerado referência, também, nesta especialidade, além das habilitações de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Tipo II adulto e cirurgias ortopédicas.
Seria o local ideal para qualquer procedimento desta natureza. Mas, infelizmente, a realidade é bem diferente do esperado. A autônoma N.Coelho, está há mais de 18 dias internada, à espera de uma cirurgia no joelho, mas o procedimento foi cancelado duas vezes.
“Estou há 18 dias esperando pela cirurgia meu joelho e até o momento não tivemos respostas de quando o procedimento cirúrgico será realizado, todos os dias sinto várias dores, principalmente no horário da noite, os médicos veem até mim e não podem fazer nada, pois falta medicamento na unidade de saúde”, afirmou.
O marido dela, Francisco Coelho, tem acompanhado o sofrimento da esposa de perto e contou que, por diversas vezes, a família teve que tirar dinheiro do próprio bolso para comprar os remédios.
“Todas as noites ela sente dor. A cirurgia, que seria realizada no dia seguinte, não aconteceu porque não o hospital tinha os materiais para fazer o procedimento. A perna dela já está roxa, a cada dia que passa fica cada vez mais roxa, e isso pode fazer com que ela perca a perna. Era apenas para ajeitar o ligamento do joelho que rompeu, uma cirurgia simples que não dura nem duas horas, mas estamos aqui há 18 dias esperando para vê o que acontece.”

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou que não há falta de materiais e medicamentos, no Socorrão II, e que a organização do cronograma de cirurgias da unidade segue uma ordem de prioridade dos procedimentos de urgência, o que pode implicar no adiamento de cirurgias eletivas. A Semus pontuou ainda que o hospital atende a mais de 4.500 pacientes por mês, e realiza mais de 800 cirurgias mensais, das quais mais de 500 são ortopédicas.


