Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Maranhão nesta quinta-feira (13) resultou na prisão de 15 suspeitos de integrar uma organização criminosa, além do bloqueio judicial de R$ 17,2 milhões em ativos financeiros. A Operação Hidra foi realizada simultaneamente no Maranhão, Pará, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
A ação foi coordenada pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Maranhão (MPMA).
Das 15 prisões realizadas, oito ocorreram no Maranhão, nos municípios de Chapadinha, Coroatá, Santa Quitéria, Brejo e Coelho Neto.
Nos demais estados, três investigados foram presos no Rio de Janeiro, dois no Mato Grosso e outros dois no Pará. Segundo a Polícia Civil, parte dos alvos apontados como lideranças da organização estava fora do Maranhão, mas continuava coordenando atividades criminosas no estado.
A Justiça também determinou o sequestro de dez veículos e a interdição de uma empresa de telecomunicações em Coelho Neto, que, segundo as investigações, teria sido assumida diretamente pela organização criminosa.
“Trata-se de uma operação de grande relevância estratégica para o Estado, cujo objetivo central é o combate às lideranças criminosas”, afirmou o subsecretário de Estado da Segurança Pública, delegado Ederson Martins.
Investigação começou após ataque a provedor
As investigações tiveram início após um ataque contra um provedor de internet em Brejo, em setembro de 2025. De acordo com a Polícia Civil, o crime teria ocorrido depois que o proprietário da empresa se recusou a realizar um pagamento exigido pela organização criminosa.
A partir do caso, os investigadores identificaram núcleos da organização em diferentes municípios maranhenses, com funções distribuídas entre lideranças, executores, disciplinadores, traficantes e operadores financeiros.
A apuração também acompanhou a movimentação do dinheiro supostamente utilizado para financiar as atividades criminosas.
Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou que integrantes apontados como lideranças mantinham-se em outros estados e continuavam dando ordens à distância.
No Rio de Janeiro, foi preso um homem apontado como liderança do núcleo de Brejo. Já no Mato Grosso, foram localizados dois investigados relacionados à estrutura que atuava em Coelho Neto. No Pará, outros dois suspeitos apontados como operadores financeiros foram presos.
Para o delegado Ricardo Carneiro, titular do DCCO/SEIC, a localização dos investigados em diferentes estados demonstra o alcance da organização. “Os principais grupos não se encontram no Maranhão; há anos emitem ordens a partir de outros estados onde se refugiaram”, explicou.
Caminho do dinheiro
Além das prisões, a operação teve como foco a estrutura financeira da organização. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, crimes como tráfico de drogas e roubos seriam utilizados como fontes de recursos para manter a estrutura criminosa.
A investigação identificou transferências sucessivas entre diferentes contas, com o objetivo, segundo a polícia, de dificultar o rastreamento dos valores e fazer o dinheiro chegar aos níveis superiores da organização.
O trabalho de investigação patrimonial levou ao bloqueio judicial de R$ 17.202.905,91, além do sequestro dos dez veículos e da interdição da empresa de telecomunicações.
Os investigados são suspeitos dos crimes de organização criminosa armada, extorsão e lavagem de dinheiro. As investigações continuam para identificar outros integrantes e aprofundar a apuração sobre a atuação e a estrutura financeira do grupo.


