Uma investigação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) aponta suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao transporte coletivo em São Luís. O caso veio à tona após mais uma greve no sistema de ônibus da capital. A TV Difusora fez uma reportegem com detalhes do espisódio.
De acordo com as investigações, a empresa Expresso Rei de França, que integra o consórcio Via SL, teria transferido cerca de R$ 1,6 milhão para outra empresa do mesmo grupo em um curto período. Parte desse valor, segundo o MP, pode ter sido usada para despesas pessoais.
Os recursos são considerados públicos, pois incluem valores de subsídio pagos pela Prefeitura de São Luís. O objetivo desse repasse é garantir o pagamento de salários dos rodoviários e a manutenção do serviço.
A promotora do consumidor, Lítia Cavalcante, informou que a denúncia chegou ao Ministério Público com documentação completa. O material foi anexado ao inquérito civil que investiga a aplicação dos subsídios no sistema de transporte. Segundo ela, a situação da empresa já era crítica desde novembro do ano passado. Em dezembro, uma portaria chegou a autorizar a substituição da operadora, devido à redução no número de ônibus em circulação. No entanto, a troca não foi efetivada.
A crise no sistema se agravou com a paralisação dos trabalhadores da empresa, que alegam atraso de salários e benefícios. Ao menos 15 linhas deixaram de operar, afetando diversos bairros da capital. Mesmo com a redução do serviço, a empresa continuou recebendo recursos. Em janeiro de 2026, o consórcio Via SL recebeu R$ 445.521,60 em subsídios.
De acordo com a promotora, o valor é desproporcional ao serviço prestado. Ela afirma que a empresa operava com poucos veículos, transportando menos de 50% da demanda. O Ministério Público também identificou que um dos possíveis envolvidos no esquema ocupa cargo de vice-presidente no Sindicato das Empresas de Transporte (SET).
Em nota, o SET informou que sua atuação é apenas representativa e que não interfere na administração das empresas. No entanto, essa versão é contestada pela promotora.
Segundo Lítia Cavalcante, o sindicato é responsável por receber os recursos do subsídio e repassá-los às empresas, o que caracteriza participação direta no processo financeiro. Ela afirmou ainda que órgãos de controle já apontaram irregularidades nesse modelo de repasse.
Diante da situação, o Ministério Público informou que já adotou medidas. Entre elas, a recomendação para que a Prefeitura de São Luís avalie, em caráter emergencial, a contratação de outra empresa para garantir o funcionamento do transporte público.






