Um aumento de 7,3% em relação a 2023
O trabalho infantil voltou a crescer no Brasil e o Nordeste foi uma das regiões que registraram maior alta. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo IBGE, 547 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil na região em 2024, um aumento de 7,3% em relação a 2023.
O número são são do módulo experimental de Trabalho de Crianças e Adolescente de 5 a 17 anos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
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O levantamento mostra que, no país, o número chegou a 1,650 milhão de crianças e adolescentes nessa condição — 34 mil a mais do que no ano anterior, o que representa 4,3% da população dessa faixa etária.
Apesar da alta em 2024, o Nordeste foi a região que mais reduziu o trabalho infantil desde 2016, com queda de 27,1%. No entanto, o crescimento recente preocupa autoridades e especialistas, principalmente porque afeta, em maior número, adolescentes de 16 e 17 anos.
Mais da metade das crianças e adolescentes nessa faixa etária no Brasil que estavam em trabalho infantil dedicavam pelo menos 25 horas semanais ao trabalho, e 30% chegavam a trabalhar 40 horas ou mais.
Os dados mostram também que o trabalho precoce impacta a frequência escolar. No Nordeste, como no restante do país, enquanto 90,5% dos adolescentes de 16 e 17 anos frequentavam a escola, entre os que estavam em situação de trabalho infantil esse percentual caiu para 81,8%.
O levantamento ainda revelou que a maioria dos trabalhadores infantis no Brasil é formada por meninos (66%) e por crianças e adolescentes pretos ou pardos (66%). Grande parte atua no comércio, reparação de veículos, agricultura, serviços domésticos e atividades ligadas à alimentação.
O estudo também mostrou que o trabalho infantil é mais presente em famílias beneficiárias do Bolsa Família (5,2%), embora esse percentual tenha caído nos últimos anos. Entre 2016 e 2024, a redução foi mais acentuada entre os beneficiários do programa do que na população geral.
O IBGE reforça que, embora tenha havido redução de 21,4% do trabalho infantil no Brasil desde 2016, o crescimento observado em 2024 indica que o problema ainda persiste. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera trabalho infantil toda atividade perigosa ou prejudicial ao desenvolvimento físico, mental e social das crianças e adolescentes, além daquelas que comprometem a escolarização.