Especialistas explicam que conflitos na região podem afetar diretamente o preço do petróleo no mercado internacional.
-março 12, 2026
Especialistas explicam que conflitos na região podem afetar diretamente o preço do petróleo no mercado internacional.
A tensão internacional provocada pelos ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no último fim de semana já começa a refletir no preço dos combustíveis em São Luís. Motoristas da capital relatam aumento no valor da gasolina em diversos postos da cidade.
Diante das denúncias, o Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon/MA) iniciou uma operação de fiscalização. O órgão passou a notificar postos que reajustaram os preços da gasolina nos últimos dias.
Segundo o Procon, os estabelecimentos deverão apresentar notas fiscais de compra dos combustíveis para comprovar se houve aumento real no custo de aquisição ou se o reajuste foi aplicado sem justificativa.
De acordo com consumidores, o aumento nas bombas ocorreu de forma rápida e significativa logo após a divulgação das tensões no Oriente Médio.
Especialistas explicam que conflitos na região podem afetar diretamente o preço do petróleo no mercado internacional. O historiador e professor Sá Marques afirma que o impacto ocorre principalmente por causa da importância estratégica do Estreito de Ormuz.
Segundo ele, cerca de 20% a 30% do petróleo e do gás natural do mundo passam por essa rota marítima, localizada entre o Irã e outros países do Golfo Pérsico.
“Quando há conflitos na região e o Estreito de Ormuz é fechado ou ameaçado, o mercado internacional reage imediatamente. Isso eleva o preço do barril de petróleo e acaba impactando os combustíveis em vários países”, explicou.
O professor também destacou que ataques e riscos de destruição de refinarias em países da região contribuem para aumentar a instabilidade no mercado global de energia. Apesar disso, ele ressalta que no Brasil os preços não deveriam subir automaticamente sem autorização da Petrobras.
Segundo o especialista, quando postos aumentam o preço de combustíveis que ainda fazem parte de estoques antigos, adquiridos antes de qualquer reajuste oficial, a prática pode ser considerada irregular.
“Se o combustível foi comprado antes de qualquer aumento autorizado pela Petrobras, o reajuste imediato pode ser considerado um ilícito previsto no Código de Defesa do Consumidor”, afirmou.
Por esse motivo, o Procon solicitou as notas fiscais dos postos fiscalizados para verificar quando o combustível foi adquirido e se houve repasse real de aumento pelas distribuidoras.
O debate sobre os preços também ocorre em âmbito nacional. A Secretaria Nacional do Consumidor já acionou órgãos reguladores para investigar possíveis aumentos injustificados em diferentes estados do país.
Enquanto isso, especialistas alertam que o aumento no preço do petróleo pode provocar efeitos em cadeia na economia. O diesel, por exemplo, impacta diretamente o transporte de mercadorias nas estradas.
Com o aumento do combustível, cresce também o custo do frete, o que pode refletir no preço de alimentos e outros produtos.
No curto prazo, economistas apontam que o consumidor deve sentir os efeitos da alta do petróleo. A expectativa é que medidas econômicas adotadas pelo governo federal possam amenizar parte dos impactos.
No entanto, especialistas afirmam que uma redução mais consistente nos preços depende principalmente da diminuição das tensões internacionais e de uma possível estabilização do mercado global de petróleo.