Quem passa pelo Mercado das Tulhas, no coração do Centro Histórico de São Luís, talvez nem imagine quantas histórias cabem dentro do prédio. Em funcionamento desde o século XIX, o espaço é considerado o mais antigo centro de abastecimento da capital maranhense.
Uma reportagem da TV Difusora mostrou que ao longo das décadas, gerações de comerciantes construíram suas vidas entre as bancas, corredores e produtos típicos do Maranhão.
É o caso de Rosinaldo Ferreira, que trabalha no mercado há 36 anos. Ele chegou ao local para ajudar o pai, que vendia camarão e peixe seco. “Quando eu cheguei aqui para ajudar meu pai, ele faleceu e eu assumi a barraca. Na época, ele trabalhava com camarão e peixe seco. Como vi que aquilo não dava para mim, coloquei uma cachaçaria, que era melhor”, contou.
A história também se repete com Raimundo Martins, o Corintiano. Ele está há cerca de 40 anos no mercado e começou a frequentar o espaço ainda criança, acompanhando o pai, que trabalhou ali durante 42 anos.
“Eu vim para cá por causa do meu pai. Quando era menino, vinha trazer a comida dele. Pelo gosto e pelo dinheiro que se ganha, também já estou há 40 anos aqui”, relatou.
Para quem visita o Mercado das Tulhas, a experiência envolve muito mais do que compras. Nos corredores, estão produtos que ajudam a contar parte da história e da identidade maranhense. São temperos, bebidas, artesanato, doces e ingredientes típicos encontrados em diferentes bancas.
A turista Bruna Calhau conheceu o mercado e destacou a variedade de produtos e a possibilidade de acompanhar o trabalho dos próprios artesãos. “O Mercado das Tulhas é uma experiência completa. A gente encontra desde o artesanato, inclusive os próprios artesãos fabricando, fazendo e tecendo, até a parte da alimentação”, afirmou.
Ela também experimentou um dos sabores tradicionais da culinária maranhense. “A gente teve essa experiência gastronômica local. Estávamos superinteressados em conhecer a juçara. Foi maravilhoso”, disse.
O turista Gabriel Oliveira também aprovou a experiência. “A gente provou a juçara com camarão seco. É muito diferente, mas muito gostoso. O povo maranhense de São Luís é muito acolhedor também”, contou.
Lugar de descobertas
Basta caminhar pelos corredores para perceber que o Mercado das Tulhas é um espaço de comércio, cultura e convivência. Para turistas que chegam de outras regiões do país, cada banca pode representar uma descoberta.
Amanda e Nitza viajaram de Maringá, no Paraná, e encontraram no mercado produtos que pretendem levar para casa. “O que eu mais gostei no mercado são os doces e as variedades. Os doces são tão diferentes daqui. Já pegamos muitas coisas para levar para o Paraná e para o pessoal conhecer também”, disse Amanda.
Nitza também destacou a variedade. “Tem muita opção de comida, de doce, de lembrancinha. Tem bastante coisa. A gente fica até com dúvida do que levar”, contou.
Além dos turistas, o Mercado das Tulhas também faz parte da rotina de muitos moradores de São Luís. O espaço se tornou ponto de encontro para quem quer rever amigos, conversar e aproveitar o ambiente.
O pedreiro José Pompeia é um dos frequentadores. “É um ambiente local, bacana e bem aconchegante. Eu só tenho a agradecer a Deus e a esse pessoal maravilhoso que faz parte do meu grupo”, afirmou.
Entre uma compra e outra, o mercado também mantém vivo o hábito da conversa. É um lugar onde o comércio se mistura com encontros e amizades construídas ao longo dos anos.
Entre produtos, histórias e sabores, o Mercado das Tulhas continua fazendo parte da identidade da capital maranhense. Os comerciantes ajudam a preservar tradições antigas. Os turistas descobrem novos sabores e levam um pouco do Maranhão para outras partes do país.
Para o Corintiano, o mercado representa muito mais do que um local de trabalho. “Mercado das Tulhas é vida, é amor, é compreensão, é dignidade, é moral. Nós temos orgulho de pertencer ao Mercado das Tulhas. Essa maravilha do nosso Nordeste”, declarou.
Em meio ao movimento do Centro Histórico, o Mercado das Tulhas segue como um espaço onde passado e presente se encontram. Um lugar de comércio, cultura, memória e histórias que continuam sendo contadas todos os dias.



