Menos de três em cada dez pessoas com deficiência estão ocupadas no mercado de trabalho no Brasil. A taxa de ocupação é de 29%, enquanto entre as pessoas sem deficiência chega a 55,8%, uma diferença de 26,8 pontos percentuais. Os dados fazem parte da segunda edição do estudo “Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18).
Em 2022, o Brasil tinha cerca de 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar. Desse total, aproximadamente 4 milhões estavam ocupadas.
A taxa era ainda menor entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com 12,9%. Entre aquelas com dificuldade para caminhar ou subir degraus, o índice era de 17,2%. Já entre as pessoas com dificuldade para enxergar, chegava a 35,9%.
A diferença também aparece entre homens e mulheres. A taxa de ocupação era de 35,4% entre os homens com deficiência e de 24,4% entre as mulheres.
Renda também é menor
Em 2022, as pessoas com deficiência ocupadas recebiam, em média, R$ 2.053 por mês. Entre os trabalhadores sem deficiência, o rendimento médio era de R$ 2.890.
Segundo o IBGE, a diferença foi observada nos grupos de atividades econômicas analisados. No setor de administração pública, educação, saúde e serviços sociais, por exemplo, o rendimento médio era de R$ 3.223 para pessoas com deficiência e de R$ 4.146 para as demais.
Desigualdade na educação
Entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência, a taxa de analfabetismo era de 12,2%, contra 1% entre aqueles sem deficiência.
A frequência escolar também era menor. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência, 92,6% frequentavam a escola, enquanto o índice chegava a 98,4% entre aquelas sem deficiência. Na faixa de 15 a 17 anos, os percentuais eram de 79,5% e 85,4%.
Dados do Censo Escolar 2025 mostram ainda que 78,5% das escolas de educação básica tinham pelo menos um recurso de acessibilidade. Banheiros acessíveis estavam presentes em 57% das unidades, enquanto 30% tinham salas de recursos multifuncionais e 26,2% contavam com profissionais de apoio.
Mais estudantes com deficiência no ensino superior
Entre 2014 e 2024, o número de pessoas com deficiência matriculadas em cursos de graduação passou de 33.377 para 95.572. A participação no total de matrículas também aumentou, de 0,43% para 0,93%.
O crescimento foi maior na educação a distância, que passou de 6.740 para 44.963 matrículas de pessoas com deficiência no período.
O estudo do IBGE reúne ainda dados sobre transporte, moradia, participação política e estrutura familiar, mostrando as diferenças nas condições de vida entre pessoas com e sem deficiência no Brasil.
Mais de 14 milhões de pessoas têm deficiência
Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais.
A dificuldade mais frequente era para enxergar, registrada entre cerca de 7,9 milhões de pessoas. Em seguida aparecem as dificuldades para caminhar ou subir degraus, com 5,2 milhões, e para pegar objetos pequenos, com 2,7 milhões.



