Um levantamento realizado pela Agência Tatu de Jornalismo revelou que 11 municípios do Maranhão possuem um eleitorado cadastrado maior do que o número de habitantes residentes. A análise foi feita a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado conta atualmente com cerca de 7 milhões de moradores e 5,1 milhões de eleitores aptos a votar.
Entre os casos com maior discrepância no estado, destaca-se o município de Presidente Médici, que apresenta 22% a mais de eleitores do que moradores. Em seguida aparecem Porto Rico do Maranhão, com uma diferença de 19,6%, e Afonso Cunha, onde o número de títulos de eleitor supera a população residente em mais de 18%.
Apesar de chamar a atenção, a Justiça Eleitoral e especialistas esclarecem que a diferença entre os números não configura fraude. A legislação brasileira permite que o cidadão escolha seu domicílio eleitoral com base não apenas na residência civil, mas também em vínculos econômicos, sociais, familiares ou afetivos com a localidade.
Segundo a advogada eleitoral Ivane Rodrigues, a defasagem nos dados também está associada à falta de atualização cadastral por parte dos próprios cidadãos. “Geralmente essa diferença ocorre por conta de atualização de dados. Muitas vezes as pessoas mudam de domicílio ou falecem e os dados não são atualizados”, explicou a advogada, destacando a importância de manter o título regularizado para evitar a suspensão do documento e prejuízos às estatísticas públicas.
Apesar do registro nos 11 municípios, o Maranhão é o estado do Nordeste com o menor número absoluto de cidades nessa situação. O cenário reflete uma tendência observada em todo a região, que concentra 279 municípios com mais eleitores do que habitantes, o que equivale a cerca de 38% do total de casos registrados no país.






