O estado do Maranhão acendeu o alerta para os riscos de acidentes biológicos após a Secretaria de Estado da Saúde (SES) contabilizar 1.408 notificações de picadas de escorpião entre janeiro e junho de 2026. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), revelam que 139 municípios maranhenses já foram atingidos.
Ao todo, vinte municípios registraram vinte ou mais notificações no período. O avanço desses animais em direção aos centros urbanos é um fenômeno impulsionado pelo desmatamento e pela degradação ambiental, que eliminam os abrigos naturais desses aracnídeos nas florestas nativas e os forçam a migrar para as cidades em busca de refúgio.
Cidades com maior incidência
Entre os municípios com maior número de notificações no primeiro semestre de 2026, destacam-se:
Balsas: 90 casos
Grajaú: 84 casos
Buriti: 78 casos
Coelho Neto: 75 casos
Caxias: 64 casos
Perigo invisível
O biólogo e doutor em biodiversidade, Keyton Coelho, alerta que o crescimento acelerado da população de escorpiões nos espaços urbanos está intimamente ligado a uma característica de sua biologia: a partenogênese. Trata-se de um processo de reprodução em que a fêmea consegue desenvolver seus óvulos e originar novos indivíduos sem a necessidade de acasalamento com um macho.
Impulsionada por ações hormonais, essa estratégia reprodutiva faz com que a quantidade de escorpiões se multiplique de forma avassaladora em uma mesma região. No Maranhão, o cenário é agravado pela presença marcante do Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), apontado como o maior responsável por acidentes graves no país, e do Tityus stigmurus (escorpião-do-nordeste).
“Uma vez instalados nas cidades, os escorpiões encontram um ambiente livre de predadores naturais e com alimentação abundante, sendo as baratas o item principal de sua dieta. O aumento das temperaturas, característico do segundo semestre, acelera ainda mais esse ciclo biológico” alerta o biólogo.
Férias e sazonalidade aumentam vulnerabilidade das crianças
O pico epidemiológico coincide com o período de férias escolares. Com as crianças passando mais tempo em casa, quintais e praças públicas, a suscetibilidade a encontros inesperados com escorpiões cresce drasticamente. Como os aracnídeos buscam locais isolados, escuros e úmidos, frestas, entulhos e até calçados tornam-se esconderijos perfeitos.
O que fazer em caso de picada?
A SES orienta que, em caso de picada, a vítima procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima para avaliação e tratamento adequado (incluindo a aplicação do soro antiescorpiônico). Medidas caseiras e torniquetes devem ser totalmente evitados, pois atrasam o socorro médico e podem agravar a inoculação do veneno no organismo.
Como proteger sua residência
Para conter a proliferação e reduzir os riscos de acidentes dentro de casa, a Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância de adotar medidas preventivas rigorosas:
Ralos e caixas de gordura: Mantenha ralos de esgoto, fossas e caixas de gordura devidamente vedadas com telas ou tampas apropriadas.
Frestas em imóveis: Sele rachaduras e frestas em paredes, pisos, forros e assoalhos de madeira, que servem de rota ou abrigo.
Portas: Instale rodinhos ou barreiras de vedação na base das portas que dão acesso ao exterior.
Combate a baratas: Evite o acúmulo de sujeira e restos de comida na cozinha, cortando a principal fonte de alimento dos escorpiões.
Eliminação de entulhos: Mantenha quintais e terrenos limpos, descartando corretamente restos de construção (tijolos, telhas, madeiras) e lixo doméstico.
Vegetação: Mantenha a grama e plantas de jardins sempre aparadas.
Inspeção de vestuário: Crie o hábito de sacudir roupas, toalhas, lençóis e, principalmente, calçados e botas antes do uso.
Afastamento de móveis: Como os escorpiões sobem superfícies verticais com facilidade, afaste camas, berços e sofás das paredes.


