Mais de 50 denúncias foram registradas no estado em 2025; São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador concentram a maioria das ocorrências.
Mais de 50 denúncias foram registradas no estado em 2025; São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador concentram a maioria das ocorrências.
Entre os estados com maior número de registros de trabalho escravo no país, o Maranhão volta a aparecer em destaque em 2025. O dado reforça que, longe de ser apenas um capítulo do passado, o trabalho escravo continua fazendo parte da realidade brasileira. A prática, muitas vezes silenciosa, ainda aprisiona milhares de pessoas em condições degradantes e em constantes violações de direitos fundamentais. A reportagem é de Fernanda Aroucha, para o Bom Dia Maranhão.
Em 2025, o Brasil contabilizou mais de quatro mil denúncias de trabalho escravo e situações análogas à escravidão, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Nesse cenário, o Maranhão ocupa o 12° lugar no ranking nacional, segundo os dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Ao longo do ano, foram registradas 59 denúncias e 97 violações de direitos humanos relacionadas ao trabalho escravo realizados no estado.
As ocorrências se concentram principalmente nos municípios de São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador, que lideram o número de casos notificados em 2025.
Foi ainda na infância que Aldenora Silva viveu essa realidade. Aos oito anos, ela foi entregue a uma família no interior do Piauí, onde passou três anos submetida ao trabalho doméstico forçado. Sem acesso à escola, ao lazer ou a qualquer direito, sua infância foi marcada pela exploração e pelo silêncio. “Eu apanhava muito de chicote. Do jeito que o dono chegava do curral, descia do cavalo e se não achasse o cafezinho pronto, ele me enrolava no chicote”, relata.
O trabalho escravo contemporâneo se manifesta de diversas formas, incluindo jornadas exaustivas, condições degradantes, restrição de liberdade e negação de direitos básicos. Crianças, mulheres e trabalhadores em situação de pobreza extrema estão entre os grupos mais afetados.
Para a pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Flávia Moura, é necessário investir em políticas públicas básicas. “Para resolver o problema estrutural, a gente precisa de políticas públicas básicas de educação, saúde, moradia e trabalho”, afirma.