Estado também concentra maior número de contaminações por agrotóxicos
-março 19, 2026
Estado também concentra maior número de contaminações por agrotóxicos
O Maranhão foi o estado com o maior número de conflitos no campo em 2024. Segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram 420 ocorrências registradas, quase o dobro do total de 2023. O estado ficou à frente de outras regiões com histórico de tensões no campo, como o Pará (243) e a Bahia (135).
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A maioria dos conflitos registrados no Maranhão está relacionada à luta pela posse e uso da terra. Só nessa categoria foram 363 casos, além de 45 conflitos por água, 10 trabalhistas, 2 retomadas de território e 58 manifestações de luta.
Um dos dados mais alarmantes é o crescimento dos casos de contaminação por agrotóxicos, que chegaram ao maior número da década: 276 ocorrências no Brasil, sendo 228 somente no Maranhão. A pulverização aérea tem afetado diretamente a saúde de comunidades tradicionais, destruído plantações, contaminado a água e causado sérios impactos ambientais e sociais.
Organizações como a FETAEMA, a Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA) e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) denunciam o uso indiscriminado de veneno no estado e cobram a criação de leis que proíbam a pulverização aérea, proposta que também vem sendo articulada pela CNBB Nordeste 5 e parceiros da sociedade civil.
Municípios como Chapadinha e Timbiras, na região conhecida como Matopiba (fronteira agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), lideram os registros de conflitos. Essa área tem sido marcada pelo avanço da monocultura, especialmente da soja, o que tem provocado aumento da violência, desmatamento, destruição de roçados e ameaças de expulsão.
Somente em 2024, o desmatamento na região cresceu 16,6%, a destruição de roçados subiu 30%, e as ameaças de despejo aumentaram em 60%. As ameaças de expulsão registraram um salto de 150% em relação a 2023.
A categoria social mais afetada pelos conflitos no campo no Maranhão são os quilombolas. O estado possui o maior número de comunidades quilombolas do país. Mais de 420 comunidades têm processos abertos no INCRA para titulação de seus territórios, mas a maioria ainda está em fase inicial, o que as deixa vulneráveis à invasão, expulsão e contaminação por agrotóxicos.
Fonte: CPT