O Maranhão já realizou 362 transplantes em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Atualmente, 153 pacientes aguardam por um transplante no estado.
De acordo com a SES, o fortalecimento da rede de captação e transplantes tem contribuído para ampliar a realização dos procedimentos e reduzir a fila de espera.
Entre as ações desenvolvidas estão a captação de órgãos e tecidos, a qualificação das equipes e a organização dos fluxos de atendimento. A Secretaria destaca que as medidas têm como objetivo ampliar o acesso aos transplantes e diminuir o tempo de espera dos pacientes que dependem de um órgão ou tecido para tratamento.
Além da estrutura da rede de saúde, a conscientização da população é considerada fundamental para aumentar as doações. Segundo a chefe da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), Polianna Bortolon, conversar previamente com familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar a decisão em um momento de fragilidade emocional.
Entre as principais dúvidas das famílias estão a segurança do diagnóstico de morte encefálica, como ocorre a retirada dos órgãos e se o procedimento provoca alterações no corpo do doador. Também são frequentes questionamentos sobre custos da doação e sobre a possibilidade de a família conhecer os receptores.
A especialista destaca que a falta de informação sobre a vontade do possível doador, além da circulação de informações equivocadas sobre o processo, pode contribuir para a recusa da família.
“Uma conversa baseada em amor, respeito e transparência é a porta para que seu desejo seja respeitado”, afirma Polianna.
A orientação dos profissionais é que o assunto seja tratado com naturalidade dentro de casa. A informação permite que familiares conheçam previamente a vontade do possível doador e estejam mais preparados para tomar uma decisão consciente.
Caso recente
Um dos casos mais recentes de doação de órgãos no estado envolve Luís Paulo, conhecido como LP, de 17 anos, que morreu após ficar 17 dias internado em decorrência de um acidente ocorrido na madrugada de 10 de agosto, na Avenida Jerônimo de Albuquerque, no bairro Angelim, em São Luís.
LP era atleta de futebol e integrava o elenco do Maranhão Atlético Clube (MAC). A morte encefálica foi confirmada no dia 25 de agosto. Logo após a confirmação, a família autorizou a doação dos órgãos do adolescente.
Fila por transplante de córnea cresce no Brasil
O cenário nacional também revela o tamanho do desafio para a rede de transplantes. Atualmente, 37.719 pessoas aguardam por um transplante de córnea no Brasil, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes na fila, o que representa um aumento de aproximadamente 15% em seis meses.
Apesar da alta demanda, o país registrou em 2025 o maior número da história de transplantes de córnea, com 17.790 procedimentos. Mesmo assim, o tempo médio de espera chegou a 370 dias, mais que o dobro dos 174 dias registrados dez anos atrás.
Para o CBO, entre os fatores que contribuem para o crescimento da fila estão o represamento de pacientes provocado pela pandemia de Covid-19, a falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos, os custos de manutenção dos bancos de olhos e o aumento das exigências para processamento e controle de qualidade das córneas. A entidade aponta que, apesar das dificuldades, o Brasil mantém desempenho considerado positivo internacionalmente e é destaque na América Latina.


