Pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais levantou 80 casos no país, mas indica possibilidade de subnotificação.
Pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais levantou 80 casos no país, mas indica possibilidade de subnotificação.
O Maranhão foi um dos estados com maior número de casos de assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025. Ao todo, foram contabilizados cinco crimes violentos letais contra pessoas desses grupos sociais no estado, mesmo número de Pará e Goiás, que só ficaram atrás de Bahia, Pernambuco (com sete cada), Minas Gerais e Ceará (líderes com oito registros cada).
Os dados são de um dossiê divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA). O levantamento mostra que foram assassinadas 80 pessoas trans e travestis em todo o país ao longo do ano passado, o que representa uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes contabilizadas em 2024.
Das 80 vítimas, 77 eram travestis e mulheres trans, enquanto três vítimas eram homens trans e pessoas transmasculinas. O dossiê mostra ainda que existe um perfil predominante nas mortes. As vítimas eram majoritariamente jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade.
Apesar da redução, o Brasil permanece como o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Além disso, a ANTRA considera que a contagem pode contar com subnotificação, ou seja, representar números abaixo dos reais. Isso se deve ao fato de que a pesquisa utiliza informações publicadas em reportagens, redes sociais e por fontes não governamentais, já que em muitos lugares não há mapeamentos oficiais e precisos, ou mesmo o reconhecimento dessas identidades nas vítimas.
Os índices, portanto, não necessariamente se traduzem em uma melhora do cenário da violência. As tentativas de homicídio, por exemplo, tiveram aumento, segundo o dossiê. Os dados corroboram com um levantamento divulgado no último dia 18 pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), no Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, atualizado anualmente.
Além da população trans, são inclusas no estudo pessoas gays, lésbicas e bissexuais, entre outras identidades. Em 2025, foram documentadas 257 mortes violentas, 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e 16 mortes por outras causas, como atropelamentos e afogamentos. Assim o Brasil registra uma morte de pessoa LGBT a cada 34 horas.