O Maranhão está entre os estados brasileiros com maior concentração de população quilombola, segundo dados do Censo Demográfico 2022. O estado, junto com a Bahia, reúne 666.670 quilombolas, o equivalente a cerca de metade da população quilombola do país.
Os dados fazem parte do novo painel de Demografia Quilombola do Data Nordeste, plataforma da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Em todo o Nordeste, vivem 906.337 quilombolas, distribuídos pelos nove estados da região. O número representa quase sete em cada dez quilombolas brasileiros.
Um dos principais destaques do Maranhão é o município de Alcântara, que possui 15.616 pessoas quilombolas. O município também apresenta a maior proporção de população quilombola entre os municípios nordestinos, com 84,5% dos moradores pertencentes a esse grupo.
Em números absolutos, Alcântara aparece entre os municípios brasileiros com maior quantidade de população quilombola. O município fica atrás apenas de Senhor do Bonfim, na Bahia, com 15.999 pessoas, e Salvador, também na Bahia, com 15.897.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a distribuição territorial. Enquanto 87,41% da população brasileira vive em áreas urbanas, entre os quilombolas a realidade é diferente. No Nordeste, 61,7% vivem em áreas rurais.
O painel também mostra que 567.098 quilombolas nordestinos vivem no semiárido. Os dados permitem identificar a localização dessa população e dimensionar demandas relacionadas a serviços públicos, infraestrutura e garantia de direitos.
A população quilombola também apresenta uma estrutura etária mais jovem. No Nordeste, a idade média é de 31 anos. Quase metade dos quilombolas brasileiros tem menos de 30 anos.
Entre os quilombolas, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra a maior parcela da população. No conjunto da população brasileira, a maior concentração estava entre pessoas de 30 a 39 anos.
O Censo 2022 foi o primeiro levantamento do IBGE a identificar e contabilizar oficialmente a população quilombola brasileira como grupo étnico. Os dados agora podem ser consultados por diferentes recortes territoriais no painel do Data Nordeste, permitindo análises desde a escala regional até os municípios.



