Após quase 20 anos, o manual “Mapeamento de Riscos: Conceitos e Métodos Aplicados a Processos Geológicos e Hidrológicos” foi atualizado pela primeira vez. Criada em 2007, a publicação é considerada uma das principais referências do país para a gestão de riscos em áreas urbanas.
De acordo com o diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco do Ministério das Cidades, Rodolfo Moura, a experiência de técnicos, pesquisadores e gestores municipais com a aplicação do manual mostrou a necessidade de atualizar conceitos e metodologias. O cenário de emergência climática também contribuiu para acelerar o processo.
A nova versão do manual está disponível gratuitamente pela internet. Entre as principais mudanças está a inclusão de novos instrumentos tecnológicos voltados à gestão de riscos, além de uma nova classificação das áreas consideradas de risco médio, alto e muito alto.
O documento também apresenta conceitos atualizados para a delimitação de setores sujeitos a riscos hidrológicos, como inundações, enchentes e enxurradas. A publicação ainda detalha processos erosivos, incluindo fenômenos como o rolamento de rochas e as chamadas “terras caídas”, comuns em áreas da região Norte do país.
87 áreas de risco mapeadas em São Luís
Na capital, São Luís, no início do ano foram mapeadas 87 áreas de risco na cidade, segundo dados da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc) junto com a Defesa Civil. O levantamento foi utilizado para identificar pontos vulneráveis e orientar ações de prevenção, monitoramento e atendimento à população durante os períodos de maior ocorrência de chuvas na cidade, bairros como Coroadinho, Parque Pindorama, Salinas Sacavém, Anil (Matança) foram citados no relatório.
Prevenção de desastres
A aplicação das orientações permite que as prefeituras identifiquem e mapeiam áreas de risco dentro dos municípios. A partir desse diagnóstico, os gestores podem elaborar planos municipais de redução de risco e definir ações para proteger a população. As medidas podem contribuir para retirar milhares de pessoas de áreas sujeitas a deslizamentos, inundações e enxurradas em diferentes regiões do Brasil.
Dados atualizados em 2024 por meio de uma nota técnica da Casa Civil apontam que 1.942 municípios brasileiros são suscetíveis a deslizamentos de terra, alagamentos, enxurradas e inundações. Essas áreas expõem quase 9 milhões de pessoas ao risco de desastres.
A expectativa é que a atualização do manual fortaleça o trabalho de estados e municípios na identificação das áreas vulneráveis e na elaboração de políticas públicas voltadas à prevenção e à redução dos impactos causados por desastres naturais.




