Um levantamento do Universidade Federal do Maranhão revelou que 222 comunidades rurais foram atingidas por pulverização de agrotóxicos nos três primeiros meses de 2026 no estado.
Os dados foram divulgados pelo Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (Lepeng). Segundo o estudo, o mês de janeiro concentrou o maior número de ocorrências, com 142 comunidades afetadas. Em março, foram registrados impactos em 45 comunidades distribuídas em 11 municípios. O relatório também alerta para possível subnotificação no mês de fevereiro.
Entre os municípios mais atingidos estão São Benedito do Rio Preto, Chapadinha, Brejo, Anapurus e Timbiras. Em alguns desses locais, há legislação que proíbe a pulverização de agrotóxicos.
O estudo aponta ainda que mais de 75% dos casos envolvem comunidades tradicionais, como populações quilombolas e indígenas. Em Chapadinha, por exemplo, 18 comunidades foram afetadas apenas no mês de fevereiro. Já em São Benedito do Rio Preto, 27 comunidades sofreram impactos em janeiro, muitas delas formadas por quilombolas.
Também há registros em territórios indígenas, como Alto Turiaçu e Bacurizinho, onde aldeias do povo Guajajara foram atingidas.
Em entrevista ao programa JD 2ª Edição, da TV Difusora, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, Erik Moraes, afirmou que a situação é preocupante. Segundo ele, o aumento da pulverização, especialmente com o uso de drones, tem ampliado os impactos e colocado a população em risco.
Ele destacou ainda que os efeitos podem ser de longo prazo, com possíveis consequências para a saúde, como problemas de fertilidade e doenças graves. O representante também defendeu maior fiscalização e a criação de leis específicas para regulamentar a prática.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA informou que já tem reunião marcada com o Ministério Público para discutir medidas de enfrentamento e possíveis soluções para os casos.
Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais informou que atua dentro das competências legais, realizando monitoramento e fiscalização do uso de agrotóxicos no estado.
A secretaria destacou que o controle é feito de forma integrada. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão é responsável por fiscalizar o uso dos produtos e o destino das embalagens. Já o Ministério da Agricultura e Pecuária atua na fiscalização da aplicação aérea, incluindo o uso de drones.
As investigações e discussões sobre o tema continuam, com foco na proteção das comunidades e no controle da aplicação de agrotóxicos no Maranhão.






