Obra é resultado de seis anos de pesquisa, entrevistas e análise de casos pelo jornalista três vezes vencedor do Prêmio Jabuti.
Obra é resultado de seis anos de pesquisa, entrevistas e análise de casos pelo jornalista três vezes vencedor do Prêmio Jabuti.
São Luís recebe nesta terça-feira (13) o lançamento do livro “Matou Uma, Matou Todas”, do jornalista e escritor Klester Cavalcanti. A obra aborda uma temática de profunda importância nas discussões atuais do Brasil: o feminicídio. O evento de lançamento ocorre às 18h, na Casa da Mulher Brasileira, no bairro Jaracaty.
O crime de feminicídio, consumado quando uma mulher é assassinada pela condição de ser mulher, vem suscitando debates de gênero e violência em todo o país. Somente em 2024, quase 1.500 mulheres foram vítimas no Brasil. Em 90% dos casos, o agressor é alguém próximo, como companheiro, ex-companheiro ou familiar.
“Matou Uma, Matou Todas” é resultado de seis anos de pesquisas, entrevistas e viagens pelo Brasil. No período, Klester leu mais de 17 mil páginas de inquéritos policiais e processos judiciais, assistiu a cerca de 90 horas de vídeos de audiências públicas, julgamentos e entrevistas, e analisou quase 2 mil fotografias, entre imagens de laudos científicos, dos locais dos crimes e dos arquivos das famílias.
Com o aprofundamento no tema, entre as dezenas de casos coletados, o autor selecionou seis histórias reais para incluir no livro, com relatos de todas as cinco regiões do país. Os estudos de Klester revelaram uma realidade assustadora: “nas minhas pesquisas, ficou muito claro que, no nosso país, qualquer mulher pode passar por essa violência extrema e inaceitável. Em quase 90% dos casos, o assassino é o companheiro, ex-companheiro ou parente da vítima. Mas há feminicídios cometidos por colegas de trabalho, vizinhos e estranhos”.
Ainda na visão do autor, a tendência é que o material tenha maior atratividade para o público feminino. Klester, no entanto, considera fundamental que os homens também leiam esta obra e compreendam o papel masculino no combate à violência contra a mulher.
“Somos nós, homens, que agredimos e matamos as mulheres. Portanto, somos nós, homens, que precisamos ter acesso às informações e aos dramas humanos contidos nesse livro. O machismo estrutural e a violência que ele gera só serão verdadeiramente combatidos se nós, homens, estivermos engajados nessa causa”, aponta o escritor.
Além de casos reais situados em todo o território nacional, o livro apresenta análises de especialistas, estatísticas e infográficos sobre o feminicídio no país. Também são destacadas pessoas que atuam no combate à violência de gênero, como policiais, promotores de Justiça, advogados, políticos, defensores públicos, psicólogos e representantes de ONGs.
“Matou Uma, Matou Todas” se soma a outros trabalhos de Klester Cavalcanti, que atua como jornalista desde 1994 e já venceu três vezes o Prêmio Jabuti, mais tradicional premiação literária do país. Os títulos vieram com as obras Víuvas da Terra (2005), Dias de Inferno na Síria (2013) e O Nome da Morte (2007). Esta última foi adaptada para o cinema e já foi lançada em mais de 20 países e em oito idiomas, o que faz de Klester Cavalcanti o escritor brasileiro de livro-reportagem mais traduzido no mundo.