Lares chefiados por mulheres negras atingem menor índice de fome da história.
Lares chefiados por mulheres negras atingem menor índice de fome da história.
O país alcançou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), o dado foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Os dados também revelam que a fome também atingiu seus menores níveis entre os lares chefiados por mulheres e por pessoas negras territórios onde as desigualdades sempre foram mais profundas.
Os índices de insegurança alimentar grave também atingiram os menores patamares já registrados na série histórica quando se observa o perfil dos domicílios.
Entre lares chefiados por mulheres, a taxa chegou a 3,6%, enquanto nos domicílios chefiados por pessoas negras foi de 4,1%. Nos lares liderados por mulheres negras, grupo historicamente mais exposto às desigualdades, o índice ficou em 4,5%, também o menor nível já observado.
O resultado consolida a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
A média trienal 2022/2023/2024 colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de acesso insuficiente à alimentação.
Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os dados demonstram que as políticas públicas alcançaram os grupos mais vulnerabilizados. “Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.
A ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) foi um dos pilares desse avanço. A partir de 2023, a reconstrução da governança do Sisan foi decisiva.
A Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) voltou a se reunir regularmente. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi reinstalado.
Além disso, foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Plano Nacional de Abastecimento e estratégias intersetoriais estruturantes.
O número de municípios que aderiram ao Sisan passou de 536, em 2022, para 2.152, em 2026. Dados da Munic 2024 mostram que 51,4% dos municípios já possuem Conselho Municipal de SAN, 36,3% têm lei municipal específica e 24,5% contam com Caisan.
Editada com informações da Agência Gov