A Justiça manteve a prisão temporária de William Tierry Silva Marques, conhecido como DJ Willian, investigado pela morte da namorada, Keysse Gabriele Silva Gomes, de 18 anos. A jovem foi morta com um tiro no rosto no dia 27 de julho, no município de Morros.
A decisão foi tomada durante a audiência de custódia realizada nesta terça-feira (4), no Fórum de Icatu. Enquanto o inquérito segue em andamento, a Polícia Civil afirma que as investigações reforçam a hipótese de feminicídio e descartam a versão apresentada inicialmente pelo suspeito.
Na decisão, o juiz Azarias Cavalcante de Alencar considerou que a prisão foi cumprida dentro da legalidade e destacou que a medida é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei. O magistrado também registrou que o exame de corpo de delito não constatou lesões físicas no investigado, mantendo a prisão temporária.
Com a decisão, DJ Willian permanece preso enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito que investiga as circunstâncias do crime.
Em entrevista exclusiva ao programa Bandeira 2, da TV Difusora, o delegado Adriano Mendes, titular da Delegacia Regional de Rosário, revelou novos detalhes da investigação. Segundo ele, o suspeito tentou, inicialmente, convencer a polícia de que a jovem havia sido vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte). No entanto, essa hipótese foi descartada logo no início das investigações.
“Primeiramente, ele apontou uma versão de que a namorada teria sido vítima de um crime de latrocínio, que é um crime patrimonial, porém nada dela foi subtraído, nem celular, nem motocicleta. Então, já perdeu força essa versão.”, afirmou o delegado.
De acordo com a investigação, o crime aconteceu durante uma discussão entre o casal motivada por ciúmes. Conforme explicou o delegado, Keysse teria ido atrás do namorado após saber que ele estava em uma festa acompanhado de outras mulheres.
Ainda segundo o delegado, quatro testemunhas presenciaram o crime e prestaram depoimentos considerados consistentes. Segundo o delegado, todas relataram que William já estava armado, sacou a arma durante a discussão e efetuou um disparo na cabeça da jovem.
“Temos quatro testemunhas oculares, e todas elas apresentam a mesma versão, sem contradições. Elas afirmam que o DJ, com um revólver calibre 38 que já costumava portar, sacou a arma e efetuou um disparo na cabeça da companheira”, destacou o delegado.
As investigações também apontam que o relacionamento era marcado por conflitos e episódios de violência. A polícia encontrou mensagens no celular da vítima que indicariam ameaças de morte feitas pelo investigado. Segundo o delegado, familiares e pessoas próximas já tinham conhecimento do relacionamento conturbado entre os dois.
Ainda conforme a Polícia Civil, após o disparo, o suspeito tentou convencer as testemunhas a mentirem em depoimento para sustentar a falsa versão de um assalto.
Depois da prisão, William mudou a versão apresentada inicialmente e passou a afirmar que o disparo aconteceu de forma acidental durante uma briga com a vítima.
Durante as diligências, os investigadores apreenderam a arma que teria sido usada no crime.
O revólver será submetido à perícia, e o resultado será comparado com o laudo do exame cadavérico para verificar se a versão apresentada pelo investigado é compatível com as evidências técnicas. Apesar disso, o delegado afirmou que a hipótese de disparo acidental é considerada improvável diante dos depoimentos das testemunhas e das provas reunidas até o momento.
William Tierry Silva Marques foi preso nesta segunda-feira (3), na cidade de Rosário, durante uma operação da Polícia Civil do Maranhão. Além do mandado de prisão temporária, equipes da 1ª Delegacia Regional cumpriram mandados de busca e apreensão para recolher materiais que possam reforçar as provas da investigação.
A Polícia Civil informou que continua reunindo provas para concluir o inquérito, que será encaminhado à Justiça.



