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Jornalista formado pela UFMA fala em perseguição política após ser proibido de entrar na Argentina

Em entrevista ao Portal Difusora News, ele relatou como recebeu a decisão do governo do presidente argentino Javier Milei, que cancelou sua residência permanente e determinou a proibição de reingresso no país por cinco anos.

O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., formado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), foi impedido de entrar na Argentina na segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. Em entrevista ao Portal Difusora News, ele relatou como recebeu a decisão do governo do presidente argentino Javier Milei, que cancelou sua residência permanente e determinou a proibição de reingresso no país por cinco anos.

Formado pela UFMA em 2003, Rogério mora em Brasília desde 2005 e se dedica à cobertura de política internacional, com foco em países da América Latina e da Europa. “Me formei na UFMA em 2003 e, desde então, venho me dedicando muito a cobrir política internacional”, relatou ao Portal Difusora News. O jornalista afirma que a medida tem motivação política, em razão de críticas feitas ao governo argentino e de confrontos recentes com apoiadores e integrantes da equipe de comunicação de Milei nas redes sociais.

Segundo ele, a residência permanente, concedida em 2022, foi revogada em 5 de agosto deste ano. Ele afirma, porém, que não recebeu notificação prévia sobre a decisão e só soube do cancelamento ao chegar à Argentina.

As autoridades migratórias justificaram a medida pela falta de permanência suficiente em território argentino para caracterizá-lo como residente. Rogério reconhece que passou períodos fora do país, mas sustenta que a decisão também está relacionada aos conflitos políticos ocorridos semanas antes da revogação.

“E não me informaram para quê? Para eu chegar lá na Argentina e eles terem o fato político de ter expulso o jornalista brasileiro que criticou o Milei e que teve o embate com os apoiadores do Milei”, pontuou.

Rogério relatou que os atritos se intensificaram no fim de julho, quando saiu em defesa de estudantes brasileiros que teriam recebido ameaças de morte na Argentina após comemorarem a vitória da Espanha em uma partida de futebol.

De acordo com o jornalista, ele publicou um vídeo criticando os ataques e atribuiu a repercussão do episódio a uma articulação política de apoiadores do governo Milei. A manifestação provocou confrontos nas redes sociais com militantes e integrantes da comunicação digital ligada à Presidência argentina, entre eles Juan Pablo Carreira, diretor nacional de Comunicação Digital.

O jornalista afirma que, durante o episódio, teve informações pessoais e perfis nas redes sociais expostos e recebeu ameaças de morte e de violência. Na avaliação dele, a revogação da residência, ocorrida em 5 de agosto, poucos dias após os confrontos, reforça a suspeita de perseguição política.

Proibição de entrada por cinco anos

Além do cancelamento da residência permanente, Rogério foi informado de que não poderá entrar na Argentina pelos próximos cinco anos, nem mesmo como turista.

Segundo o jornalista, a decisão se baseia em um decreto do governo Milei que prevê medidas contra estrangeiros que atentem contra a Argentina ou seus cidadãos. Ele questiona a aplicação da norma ao próprio caso e afirma que a medida viola garantias constitucionais e regras de livre circulação no âmbito do Mercosul.

Rogério também argumenta que não cometeu nenhum crime que justificasse a restrição. Ele informou que pretende apresentar um recurso por meio da representação diplomática argentina no Brasil e afirmou estar confiante de que conseguirá reverter a decisão.

O jornalista disse ainda que recebe regularmente comunicações oficiais do governo argentino, inclusive avisos de campanhas de vacinação, mas não foi informado previamente sobre a revogação da residência.

“Eu vou, semana que vem, entrar com recurso na embaixada da Argentina aqui no Brasil e tenho certeza que vou ser vitorioso. E, se não for, na verdade, só confirma ainda mais o caráter político dessa perseguição”, destacou.

Rogério Tomaz Jr. trabalha em um livro sobre o presidente argentino Javier Milei. Segundo relatou ao Portal Difusora News, esteve na Argentina três vezes em 2026, incluindo uma estadia de 24 dias em janeiro e outra visita de duas semanas em julho, para realizar entrevistas e reencontrar pessoas próximas.

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