A Federação Maranhense de Futebol (FMF) completou nesta terça-feira (4) um ano sob intervenção judicial. A medida foi determinada em 4 de agosto de 2025 pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, após pedido do Ministério Público do Maranhão (MPMA).
Na decisão, o magistrado afastou o então presidente Antônio Américo Lobato Gonçalves e outros 16 dirigentes da entidade. A intervenção foi motivada por suspeitas de falta de transparência administrativa, irregularidades financeiras e possível desvio de finalidade. A advogada Susan Lucena foi nomeada interventora para conduzir a administração da federação.
Ao longo do último ano, o processo passou a ser acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em outubro de 2025, o ministro Flávio Dino, relator da Reclamação Constitucional nº 85.536/MA, determinou a suspensão de alterações no estatuto da FMF, de novos cadastramentos e de mudanças na composição dos membros da entidade até nova deliberação.
Em dezembro do mesmo ano, a FIFA alertou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de que intervenções judiciais em federações estaduais podem caracterizar interferência estatal no esporte. Apesar disso, o ministro Flávio Dino manteve o afastamento da antiga diretoria, destacando que a intervenção deveria ser temporária e limitada à reorganização administrativa da federação, sem interferir nas decisões esportivas.
A possibilidade de encerramento da intervenção começou a ser discutida em maio deste ano, durante uma audiência de conciliação conduzida pela Justiça. Na ocasião, foi apresentada uma proposta para antecipar o fim dos mandatos da diretoria afastada, reduzir a multa por danos morais coletivos de cerca de R$ 2 milhões para R$ 50 mil e permitir a realização de novas eleições em até 75 dias.
Atualmente, o processo aguarda a decisão do ministro Flávio Dino sobre a homologação do acordo firmado entre as partes. Após manifestações do Ministério Público, da defesa do ex-presidente, da CBF e dos clubes maranhenses, a análise do STF será decisiva para definir o encerramento da intervenção e autorizar a convocação de uma nova eleição para a presidência da FMF.





