Encontro reuniu neste sábado (1º) mestres e tocadores do Bumba Meu Boi de sotaque Costa de Mão para dar início a uma ação de preservação cultural. Originária da região de Cururupu, a manifestação é reconhecida por sua sonoridade e ritmo singulares, mas atualmente enfrenta o risco de extinção devido à redução no número de grupos e detentores desse saber tradicional.
O Costa de Mão será o grande homenageado da Festa da Música no Maranhão 2026, marcada para os dias 20 e 21 de novembro. A 8ª edição do evento marca um feito inédito na trajetória da iniciativa, criada em 2019: pela primeira vez, a homenagem deixa de ser dedicada a uma personalidade individual e passa a reconhecer uma expressão cultural coletiva.
As atividades integram o projeto “Costa de Mão: Enquanto Houver Quem Toque”. A iniciativa reuniu três frentes de registro e difusão: a gravação do álbum “Costa de Mão: Enquanto Houver Quem Cante”, a produção da websérie “Costa de Mão: Patrimônio Vivo” com depoimentos dos mestres, e o lançamento do curta-metragem “Enquanto Houver Quem Toque”, focado nas redes sociais.
Para o produtor cultural Emanuel de Jesus, o foco do projeto é garantir a sobrevivência dessa expressão artística. “O objetivo principal é a preservação da memória do sotaque de Costa de Mão, que é um dos sotaques do Bumba Meu Boi do Maranhão que está sob risco de extinção. Precisamos salvaguardar este bem cultural do nosso Estado”, destacou.
A ligação familiar e a necessidade de valorização também foram reforçadas por quem vivencia a tradição no dia a dia. “O boi para mim é tudo, porque fui criado nele. Meu avô, meu pai e meu irmão eram donos de boi, e eu também tomei conta. Tem que se valorizar para nossa tradição não morrer”, afirmou o Mestre Umbelino Santos, acompanhado pelo Mestre Josivaldo Casteliano.



