A farinha de mesocarpo do babaçu surge como uma alternativa viável e benéfica para as escolas do Maranhão
-fevereiro 15, 2026
A farinha de mesocarpo do babaçu surge como uma alternativa viável e benéfica para as escolas do Maranhão
A inclusão de alimentos nutritivos e sustentáveis na merenda escolar das crianças não é um sonho distante. Com a promoção da agricultura familiar e local, essa realidade está mais próxima do que se imagina, conforme preveem o Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A farinha de mesocarpo do babaçu surge como uma alternativa viável e benéfica para as escolas do Maranhão, contribuindo para a qualidade da alimentação escolar e promovendo práticas sustentáveis e saudáveis.
De acordo com o PNAE, o conceito de “comida de verdade” propõe que a alimentação escolar seja composta por produtos da agricultura familiar, afastando-se de alimentos processados e ultraprocessados. Essa mudança tem o potencial de não apenas melhorar a qualidade nutricional das refeições, mas também de prevenir doenças graves, como hipertensão e obesidade infantil, ao fortalecer o desenvolvimento saudável dos estudantes.
A merenda escolar, portanto, se torna uma chave importante nesse processo, ao conectar escolas com a cadeia produtiva local e fortalecer a economia das comunidades agrícolas. Nesse contexto, os programas incentivam a compra de alimentos da agricultura familiar, com o objetivo de garantir a segurança alimentar e nutricional das crianças em idade escolar.
A farinha de mesocarpo do babaçu é uma excelente opção para esse modelo. Extremamente versátil, pode ser usada em diversas receitas como pães, bolos, biscoitos e mingaus, oferecendo uma alimentação variada, saborosa e atraente para os estudantes.
Segundo a nutricionista e pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Yuko Ono, a farinha de mesocarpo é um alimento altamente nutritivo, com diversas propriedades benéficas para a saúde infantil. “A inserção de um produto local na merenda escolar é uma excelente iniciativa. Além de sustentável, tem um impacto econômico e social positivo, oferecendo benefícios nutricionais consideráveis”, afirma a professora.
A capacitação de cozinheiras e merendeiras para utilizar a farinha de babaçu é essencial para garantir o aproveitamento de seus benefícios nutricionais. Projetos de capacitação não só promovem o aprendizado sobre o uso do alimento, como também incentivam o desenvolvimento de novas receitas, demonstrando a versatilidade desse ingrediente.
A cooperativa “Mulheres Mãos de Fibra”, junto à Rede Mulheres do Maranhão, abraçou essa causa, buscando transformar o babaçu em uma atividade econômica rentável e sustentável. A farinha de mesocarpo, além de nutrir a população, empodera mulheres no interior do Maranhão. A preocupação com a sustentabilidade e a economia social está presente em todos os projetos desenvolvidos, e as prefeituras que adotam essa prática contribuem para o fortalecimento da cadeia produtiva e para o apoio a práticas agrícolas responsáveis.
As quebradeiras de coco têm um papel fundamental na economia do Maranhão, promovendo a inclusão e transformação socioeconômica de suas comunidades. Investir na farinha de babaçu é um passo significativo para aumentar a renda e a autonomia financeira das mulheres envolvidas na sua produção, além de fortalecer as comunidades locais e garantir a sustentabilidade do setor.
Dona Mundica, uma das participantes do projeto, conta com orgulho sobre a qualidade do produto que ela ajuda a produzir. “O nosso mesocarpo é mais claro, por isso nossos biscoitos são mais claros. A farinha é diferente, bem branquinha e fininha, parecendo amido de milho”, explica ela.
O biscoito das Mulheres Mãos de Fibra, feito com farinha produzida pela própria cooperativa, já é famoso na região. A parceria com a prefeitura de Tufilândia em 2024 permitiu que os biscoitos chegassem à merenda escolar, o que aumentou a visibilidade do produto entre as crianças. “Onde passo, sempre tem algum aluno perguntando pelos biscoitos”, conta Dona Mundica, destacando o impacto da iniciativa.
A fábrica que produz a farinha e seus derivados foi planejada para oferecer um ambiente seguro e higiênico, além de ser um espaço de convivência e aprendizado. As mulheres participam de workshops e eventos que as ajudam a melhorar seus produtos e manter-se atualizadas sobre as demandas do mercado.
Hoje, com toda a infraestrutura necessária, as empreendedoras investem na expansão da produção, utilizando a farinha de mesocarpo como base para novos derivados, que serão feitos na nova panificadora da cooperativa.
A inclusão da farinha de mesocarpo do babaçu na alimentação escolar é uma oportunidade real de transformar a merenda escolar em uma prática mais nutritiva, sustentável, socialmente responsável e, sobretudo, mais saborosa.
Rede Mulheres do Maranhão
A Rede Mulheres do Maranhão atua para promover a inclusão e transformação socioeconômica das mulheres no estado. Composta por 16 negócios sociais, a rede impacta mais de 200 empreendedoras e quebradeiras de coco babaçu, que encontraram no trabalho coletivo uma fonte de renda sustentável.