Na casa da família Wada, em São Luís, o clima de Copa do Mundo já tomou conta da rotina. Figurinhas do álbum espalhadas pela mesa, palpites sobre os jogos e até a presença ilustre de Arrascaeta, o papagaio flamenguista da família, ajudam a aquecer a expectativa para o confronto entre Brasil e Japão, nesta segunda-feira (29), pela fase 16 Avos do torneio mundial. Mas, desta vez, a partida traz um ingrediente especial: a torcida estará dividida.
A família reúne raízes brasileiras e japonesas, e a rivalidade em campo é vivida com respeito, carinho e, principalmente, como uma forma de homenagear o patriarca Kazuyoshi Wada.
Casada com um japonês, a matriarca Telma Wada admite que, neste duelo, o coração pesa para o lado oriental.
“É porque eu sou casada com o japonês, né? Então, por ser casada com o japonês, eu torço pelo Japão. Mas, se o Brasil ganhar, eu fico satisfeita também”, afirmou.
A tradição começou com Kazuyoshi Wada, que chegou ao Brasil aos 18 anos e escolheu o Maranhão para construir sua vida. Apaixonado pelo país que o acolheu, ele torcia pela Seleção Brasileira durante toda a Copa. No entanto, quando o adversário era o Japão, a preferência mudava e o coração sempre falava mais alto pelo país onde nasceu.
Mesmo após sua partida, a família mantém viva essa tradição. “Primeiro porque ele não está mais aqui entre a gente. Mesmo quando ele estava, a gente já torcia por ele. Agora, quando dá Brasil e Japão, meu Deus do céu, o coração fica muito dividido. Mas, se o Japão ganhar, eu vou ficar muito feliz”, contou a filha, Miyuki Wada.
Se parte da família veste as cores do Japão, o genro Osnny Cutrim faz questão de defender a camisa verde e amarela. Admirador da cultura japonesa e grato pelos ensinamentos que recebeu do sogro, ele garante que, na hora do jogo, a escolha é pelo Brasil.
“Não tenho dúvida nenhuma. Eu sou brasileiro. Apesar de gostar muito do Japão, ter aprendido muitas coisas com meu sogro e admirar esse povo tão sério e respeitador, eu torço pelo Brasil. Acho que vai ser 3 a 1, com dois gols de Vini Júnior e um de Neymar”, apostou.
Independentemente do resultado, todos concordam que o verdadeiro vencedor será a união da família. Entre lembranças, respeito às origens e esperança pelo hexacampeonato brasileiro, a partida desta segunda-feira representa muito mais do que uma disputa por uma vaga na Copa.
“Se perder, eu vou ficar feliz também, porque a gente continua com a esperança do hexa. Então, está tudo bem dividido”, concluiu Miyuki, resumindo o sentimento que une duas nações dentro da mesma família.




