A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu em quase 50% a prevalência dos principais tipos do vírus no Brasil, segundo o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. Os resultados reforçam a importância da imunização como estratégia para prevenir diferentes tipos de câncer e chegam em um momento em que a campanha de vacinação no Maranhão foi prorrogada pelo Ministério da Saúde até o fim do primeiro semestre de 2026.
A pesquisa Pop-Brasil, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, comparou dados coletados entre 2016 e 2017 com informações obtidas entre 2020 e 2023. No primeiro período, 14,98% dos participantes apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV protegidos pela vacina. Na segunda etapa do estudo, esse percentual caiu para 7,95%.
Ao todo, mais de 16 mil pessoas participaram da pesquisa. A primeira fase contou com 6.388 voluntários não vacinados, enquanto a segunda reuniu mais de 10 mil participantes, entre vacinados e não vacinados, com amostras coletadas em unidades de saúde de diferentes regiões do país.
O estudo concentrou-se em jovens de 16 a 25 anos, faixa etária considerada a de maior prevalência da infecção por representar o início da vida sexual e também por abranger pessoas que já deveriam ter sido imunizadas.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores alertam para a necessidade de ampliar a cobertura vacinal. Entre as mulheres participantes da pesquisa, apenas 61,8% haviam recebido a vacina. Entre os homens, o índice foi ainda menor, de 31,1%, distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Mesmo assim, a eficácia do imunizante foi comprovada. Entre as mulheres vacinadas, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 15,6% para apenas 3,1%. O estudo também identificou um efeito indireto da vacinação, conhecido como “efeito rebanho”, com redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres não vacinadas.
Entre os homens vacinados, a prevalência dos subtipos protegidos pelo imunizante diminuiu de 13,8% para 4,6%. Já entre os não vacinados, não houve redução estatisticamente significativa, resultado atribuído à baixa adesão desse público à vacinação.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores é que, enquanto a prevalência geral de todos os tipos de HPV aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases do estudo, os quatro subtipos combatidos pela vacina apresentaram queda expressiva, demonstrando a efetividade da imunização.
A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com apenas uma dose da vacina, mantém proteção semelhante à observada entre pessoas que receberam duas ou três doses.

