Paulo Pires afirmou que o sistema funciona hoje com base em cálculos antigos e que a situação é insustentável
-fevereiro 5, 2026
Paulo Pires afirmou que o sistema funciona hoje com base em cálculos antigos e que a situação é insustentável
Mesmo com o fim da greve dos rodoviários, os problemas continuam transporte público de São Luís. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes (SET), as operadoras do sistema urbano vivem uma crise financeira prolongada, agravada pela falta de atualização do subsídio pago pela Prefeitura e pela ausência de diálogo com a gestão municipal.
Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (05), o executivo do SET, Paulo Pires, afirmou que o sistema funciona hoje com base em cálculos antigos e que a situação é insustentável. Segundo ele, o subsídio pago atualmente é o mesmo calculado em 2023 e 2024, o que, na avaliação das empresas, não reflete os custos reais do serviço.
“O fato de o subsídio estar em dia não significa que ele esteja atualizado. Esse é um grande problema. Sem revisão anual, o sistema não se sustenta”, afirmou.
De acordo com o executivo, o sindicato tentou, desde setembro do ano passado, abrir diálogo com a Prefeitura de São Luís para discutir o equilíbrio econômico do sistema, mas não obteve retorno. Ele disse que, ao longo de todo o ano de 2025, o município não participou de nenhuma rodada de negociação com rodoviários ou empresários.
Paulo Pires também alertou para o risco de paralisação definitiva do serviço caso não haja mudanças estruturais. “Estamos à beira de um colapso do sistema”, declarou. Segundo ele, várias empresas já enfrentam recuperação judicial e dificuldades para manter o pagamento de salários.
Apesar da crise, o SET afirma que as empresas estão prontas para retomar as operações do sistema urbano. O executivo disse que os ônibus estão abastecidos e preparados para circular, aguardando apenas a apresentação dos trabalhadores nos locais de trabalho, conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT-MA).
Durante a entrevista, Paulo Pires destacou ainda o papel do Governo do Estado na mediação do conflito. Ele elogiou a atuação da Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB) e afirmou que a condução técnica do processo tem evitado a paralisação total do transporte na Grande Ilha.
“O transporte não se resolve com discursos ou postagens em redes sociais. Ele se resolve com engenharia, cálculo e planejamento técnico”, afirmou.
O executivo também criticou a falta de estrutura técnica na Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT). Segundo ele, a pasta passou por sucessivas trocas de comando e atualmente não conta com profissionais especializados na área de transporte público.
O SET informou que pretende solicitar novas mesas de negociação, especialmente para tratar do sistema semiurbano, e reforçou o apelo para que os rodoviários retornem imediatamente às atividades, garantindo o direito de ir e vir da população.
Por fim, Paulo Pires afirmou que o sindicato está disposto a prestar esclarecimentos aos órgãos de controle e à sociedade. “A situação de São Luís é grave. Se não houver um debate sério e técnico, o sistema pode entrar em colapso definitivo”, concluiu.