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Escola das Marés vai ofertar 600 vagas em cursos superiores para comunidades quilombolas do Maranhão

Os cursos atenderão moradores e moradoras de seis reservas extrativistas federais, do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, da Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba e de outros territórios tradicionais, permitindo que os estudantes concluam a graduação sem precisar sair de suas comunidades.  

A comunidade quilombola de Santa Maria de Guaxenduba, na Reserva Extrativista Baía do Tubarão, em Icatu (MA), sediou na última quarta-feira (11) a aula inaugural da Escola das Marés e das Águas, iniciativa que vai ofertar 600 vagas em cursos de nível superior voltados a comunidades quilombolas e outros povos tradicionais do litoral maranhense.

O projeto é resultado de uma parceria entre a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), o ICMBio e a Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (CONFREM). Serão oferecidos os cursos de Tecnologia em Recursos Pesqueiros e Tecnologia em Turismo, com aulas organizadas nos próprios territórios, permitindo que os estudantes façam a graduação sem precisar se deslocar para centros urbanos.

Os cursos atenderão moradores e moradoras de seis reservas extrativistas federais, do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, da Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba e de outros territórios tradicionais, permitindo que os estudantes concluam a graduação sem precisar sair de suas comunidades.  

A proposta busca aproximar o ensino superior da realidade das comunidades, incorporando saberes tradicionais à formação acadêmica e respeitando os modos de vida ligados à pesca, ao extrativismo e ao turismo comunitário.

A abertura reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes das instituições envolvidas. Para os organizadores, a criação da escola é fruto de uma demanda histórica por acesso à universidade em regiões tradicionalmente excluídas das políticas educacionais.

Entre os novos estudantes está Rosinalva de Nasaret Garcês, da comunidade Itatuaba, que celebrou a oportunidade. “Sempre foi um sonho estudar. Agora posso aprender sem sair da minha comunidade e pensar em um futuro melhor para minha família”, afirmou.

Além da formação técnica, o programa pretende contribuir para o desenvolvimento local, fortalecendo iniciativas econômicas sustentáveis e a participação das comunidades quilombolas na gestão de seus territórios.

A expectativa é que a Escola das Marés e das Águas se torne uma referência em educação superior territorializada no Maranhão, ampliando o acesso ao ensino e valorizando os conhecimentos tradicionais das populações costeiras.

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